Não é um bom dia para te escrever. Não só porque o tempo me deixa mergulhada numa melancolia vã que teimo em não perceber, mas porque me sinto a transbordar de coisas que enterrei à séculos.
Ainda assim, a angustia que incuto a mim mesma deixa-me mais aliviada no final. É como regar a ferida com álcool e sentir a dor ir embora lentamente. Até que só restem algumas lágrimas e a sensação de missão cumprida.
Não sei porque é que te incluo sempre. Se odeio a ideia de te incluir. De te ter aqui a espiar e a respirar o mesmo ar que eu. Não sei porque é que te deixo entrar se o que mais quero é que estejas longe. Feliz, mas longe.
Não há motivo para te querer. Destruíste partes de mim que ainda hoje não encontro. E quando penso que costumava ser mais feliz não posso deixar de me lembrar que também costumava ser menos insegura e que ouve tempos em que acreditei plenamente num amor que foi mais meu do que teu.
E volto ao mesmo. Como se precisasse. Como se fizesses parte da minha vida. Escrevo-te e não posso deixar de me sentir culpada. Incluir-te na minha escrita é dar-te um lugar na minha vida que já não te pertence. É ver-te sorrir. Ver-te seres quem és e não perceber se isso me agrada ou me afasta. É sentir-me altamente bipolar, com as memórias a borbulhar no cérebro e as ideias trocadas. E não sinto o coração. Nem o oiço. Já me atraiçoou tantas vezes que não olho para ele desde que te foste.
Embora o sinta quente. Embora, seja lá de que maneira for, ele bata e queira sempre bater mais forte. Mas eu não deixo. Não deixo porque tu me deixaste e há sempre quem possa fazer o mesmo. Mil vezes, se for preciso. E mil eu não quero. Nem ele aguenta.
há dias assim querida!
ResponderEliminarum beijo agnes
deixa lá as vezes também tenho actos de bipolaridade. acontece querida.
ResponderEliminarbeijinho
Há mesmo dias assim, que nos deixam nesse estado. Mas depois há dias melhores e o coração sossega
ResponderEliminarBeijinhos*
muito obrigada, de coração*
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