Foram precisas mil quedas para chegar aqui. Quando olho para trás tenho medo do meu próprio medo. Do terror de foi viver cada momento menos bom e suportar tudo isso sobre o esqueleto. A dor tem essa particularidade: não se divide com ninguém. É nossa, mesmo que a tentemos expressar, explicar ou identificar, ela vive tão presa nas nossas entranhas que será como um bocado de carne intrínseco ao resto do corpo.
Mas, talvez não fosse amor. Não pode ter sido amor se magoou tanto. Se feriu e deixou cicatrizes. O amor tem de ser bom; só pode ser bom. Mesmo que achemos que nunca vamos viver nada assim novamente, não pode ter sido amor. Provavelmente não se vive duas vezes porque nenhum murro no estômago dói tanto como o primeiro. Os seguintes são suportáveis pela simples razão de já se conhecer a sensação. E aguenta-se a dor com mais enjoo e menos tolerância. Já ninguém fica para ver. Desiste-se antes de se tentar porque já nada se equipara a nada.
Não tem de doer. Tem de ser cor de rosa e trazer borboletas. Tem de apagar a memória e afastar fantasmas. Tem de segurar na ponta dos dedos e tem de ter promessas. Tem de ser bonito e não pode magoar. Só se o acaso agir antes de nós. E depois de derramado o leite, apanha-se a chávena com cuidado e cuida-se dela para o resto da vida.
O amor é absoluto. Tem de ser. Não pode ter vírgulas. É claro, mesmo que se demore anos a reconhecer tal transparência. Ama-se porque se quer e não há motivo mais forte do que esse. Não há dor antiga que se equipare ao amor vivido na tranquilidade do sentimento, com duas consciências plenas e seguras de si, e do outro.
Amar é mesmo isso! É absoluto e não pode doer, porque o amor não magoa, tolera e fortalece as pessoas, assim como se vai fortalecer ao longo do tempo. Há uns dias li uma frase que dizia algo como "gostar é conhecer o melhor da pessoa e ficar. Amar é conhecer o seu pior e ficar mesmo assim". E eu acho que o amor só faz sentido se for assim
ResponderEliminarAdorei o texto!
Beijinhos*