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recordações


 Os teus dedos tocam-me e eu levito. Adormeço e acordo no mesmo instante. Deixo-me ficar de olhos fechados com medo de acordar. Medo, novamente, medo. Diminuído, rasurado, escondido. Permanece e persiste apenas porque nunca se possuí realmente nada nesta vida. Nem mesmo que se queira. Nem mesmo que eu (te) queira.
 Olho-te sobre mim e vejo-te ser exactamente o que eu quis quando eu quis. Agora. Quero-te e és. Existes e fazes parte de mim. Da minha pele e das minhas entranhas. E escondo-te para que não sejas de mais ninguém. Não é posse. É medo. Medo que sejas simultâneamente do meu corpo e de outros mil que encontras perdidos na tua vida. E isso não é ser de ninguém. Nem teu, nem meu, nem do mundo.
 Possuis-me. Espero que entendas. Que percebas. Que te aproveites. Espero que te enchas de mim sem nunca te fartares realmente. Que voltes sempre que vás porque é assim que te espero. Mesmo quando dizes que vais e não voltas. Prendo-te na mente e é por isso que regressas. E me sorris como só tu sabes sorrir e me enches até à rolha de ti e das tuas coisas, que são mais minhas que tuas, na verdade.
 Rodo sobre a palma da tua mão. Mesmo sem quereres. Podes olhar e ver. Vê-me. Vê-me ser para ti o que não sou para mais ninguém, o que escondo e enterro sobre a pele para guardar num livro cheio de recordações. 
És o meu ego. O sangue, as artérias e a aorta com que escrevo. És o que me leva, o que me traz, o que me afoga e me devolve a mim todas as noites. Quando me deixas sobre ti e sobre as tuas coisas espalhadas na minha vida. Mesmo que eu não quisesse, tu escreveste-te em mim, sobre a calçada da minha rua e não sais mesmo que te apague, que te pise, que te magoe.
E e magoar-te dói-me mais do que magoares-me. Dói-me e não pára enquanto não me sorris. Enquanto não te deites perto de mim e respires levemente sobre o meu ouvido. Enquanto não és meu e sei que me possuis sem ser preciso amarrar-te a mim para que fiques. Ficas porque sim, ficas porque é bom ficar. Ficas porque é amor. E não há outra forma de o viver.

p.s.: devaneios, nada real.

Comentários

  1. Tão lindo! Adorei, de coração, sobretudo porque à medida que ia lendo ia conseguindo imaginar toda a situação

    Beijinhos*

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  2. Obrigada, minha linda. Espero que tenhas tido um excelente Natal :)
    Beijinhos*

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