A Alice sente a vossa falta. Até da vossa infantilidade que tanto a incomodou. Dorme agora mais perto de nós. Pergunta-se - com certeza - onde andam as crianças. Onde brincam agora. Porque é que não voltam para lhe morder as orelhas. Também a Alice, no alto da sua elegância de gata-senhora-do-seu-nariz lamenta que não regressem.
Temos saudades vossas. Do vosso ronronar nos sábados de manhã para me acordar. Do calor do vosso mimo. Do conforto da vossa presença, mesmo que do outro lado da casa metidos na vossa vidinha de felino. E que vida essa. Tenho saudades de vos ouvir a querer romper portas em busca de companhia. Saudades do olhar descomprometido e desinteressado. Do amor que dão exigindo apenas alguma comida e muitas mantas para poderem descansar o pêlo horas a fio.
Espero então que tenham sido felizes. Que tenha feito por vós o melhor que pude e que não soe muito absurdo escrever-vos. Espero que haja um lugar reservado algures para os animais. Para aqueles que amamos e que nos amam. Sem reservas nem perguntas. Sem exigências, sem limites. Porque se é o amor que mantém as pessoas vivas depois de partirem, o mesmo amor vos atinge e vos protege.
E mesmo que jamais tenham percebido as minhas palavras (mesmo quando vos disse mil vezes que a bancada da cozinha não era sítio de gatos), mesmo que já não vos possa ler isto na esperança que me retribuam as saudades com uma turra carinhosa na palma da mão como quem diz também gosto muito de ti, mas agora encontra lá algo para eu mastigar; e mesmo que não se escreva aos gatos, aos cães e aos bichanos, é com toda a certeza que digo que vou continuar a sentir a vossa falta. Como um vazio que se torna mais vazio quando chego a casa e não estão a trepar-me pelas pernas duas criaturas famintas de mimo. Quando olho para os sofás e existe agora espaço suficiente para humanos. Quando não oiço miar quando cheira a jantar. Quando não há ninguém a fazer asneiras. Quando não há Simba. Quando não há Chico. Nunca mais.
P.s: Portem-se bem, onde estiverem. Morremos de saudades. Ah.. e ninguém gosta de gatos em cima da mesa!
Que lindo! É impossível não ficar enternecido
ResponderEliminarBeijinhos*