Copo meio cheio. É assim que me despeço. A lentidão dos pensamentos não me deixa aprofundar a questão e é por isso que ninguém percebe. Bandeira branca içada, como sempre. Sem rancores. É assim que me despeço.
A minha luta interior continua. Devia ser mais severa comigo mesma. Disciplinar-me, alinhar-me, encaminhar-me. Deixar de ser tão emocionalmente desorganizada. Confusa, rasurada.
Só gostava de entender. Estudar a questão e achar a resposta. Mas, atrofiam-se-me os membros. Tenho medo de descobrir que já não há nada para descobrir. Que as relações são o que são e que o tempo e a idade lhes tiram o encanto. E o romantismo.
Não seria muito melhor se gostássemos mais uns dos outros. Sem aquela coisa do meio termo. Do mais ou menos. Do até podia ter sido, mas não foi. Se o coração não está preparado porque é que nos emaranhamos mais? Porque é que procuramos na instabilidade a felicidade, quando esta está tão mas tão longe do pote de ouro?
No fundo, a confusão encontra-me porque eu me deixo encontrar. Fico ali a provocá-la, olhando-a nos olhos. E não fujo, finjo-me de forte. Ergo o peito, a mente e o sorriso. Vem cá, digo-lhe. E vem. Agarra-me e prende-me. A adrenalina sabe-me a mel, nem sei porque é que ainda nego. Mas, e depois.
Depois o vazio consome-me. A culpa. O não devia ter sido assim. Não é isto que eu sou. Encontrar-me agora é mais difícil. Não sei o que me move. O que me apaixona. O que realmente faz o meu coração querer saltar do peito para o papel, como sempre.
Despeço-me assim, sem saber. Sem me ter encontrado mas com fé de que este é o primeiro passo para me achar. Dentro de mim, no meio da confusão, dos quases, dos até-que-enfim. Bandeira branca, paz no espírito e consciência plena e tranquila de que a vida é assim. Para mim, e para o resto.
«Não seria muito melhor se gostássemos mais uns dos outros. Sem aquela coisa do meio termo. Do mais ou menos. Do até podia ter sido, mas não foi.», não podia estar mais de acordo. Temos que parar de gostar aos bocados, para passarmos a gostar com o coração todo.
ResponderEliminarAdorei o texto, como sempre!
olá docinho , criei um novo blog se me quiseres continuar a seguir o link é este : vamoscontarestrelasjuntos.blogspot.com , beijinhos muito grandes (:
ResponderEliminarSabes quando estarás segura de ti? Quando a vida terminar. Faz parte da vida as indecisões e erros. Se tiveres isto em mente será mais fácil viveres as dificuldades e até aprenderás com elas. Se nascesses com a sabedoria toda, passarias uma vida extremamente aborrecida.
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