Se pudesse ter sido de outra maneira, não teria sido. Se eu pudesse mudar um único paragrafo na nossa história, não seria nossa. Mesmo que hoje não pertença a nenhum dos dois. Mesmo que tudo se esfume e se apague, inevitavelmente, no tempo.
Gosto da perspectiva de um amor tranquilo. Doce, leve, quente. No entanto, nunca procurei nenhum. Agrada-me a confusão porque me agita o espírito adormecido e as palavras presas na garganta. Sou ligeiramente mais confusa do que aquilo que gostava. Arrumar-me-ia, se pudesse. Se conseguisse. Mas não.
Para dizer a verdade, sempre que procurei o amor só encontrei vazio. Isto porque é o amor que encontra as pessoas e as empurra para a vida uma das outras. Mesmo que daí resulte uma paixão avassaladora ou uma amizade para vida.
Para dizer a verdade, sempre que procurei o amor só encontrei vazio. Isto porque é o amor que encontra as pessoas e as empurra para a vida uma das outras. Mesmo que daí resulte uma paixão avassaladora ou uma amizade para vida.
O amor é uma coisa, a paixão é outra. E se aquilo que senti pudesse ter sido paixão, talvez o buraco fundo no meu peito nem existisse. Ou talvez fosse maior ainda, com mais mágoa e mais lágrimas. O amor perdoa. A paixão não. A paixão quer a toda a hora. O amor quer devagar, como se querem as coisas boas da vida. O amor dá desculpas, inventa histórias, constrói castelos. Mesmo que os anos passem e o regresso não aconteça. Se foi amor, num recanto qualquer destes esqueletos enferrujados, continuaremos à espera. Quem ama espera, a vida toda se for preciso.
Talvez devesse apaixonar-me mais. Enlouquecer em vez de querer parecer sempre tão sóbria dentro da minha própria pele. Embriagar-me de sentimentos. Sem me conter, sem pensar. Só uma vez.
Perco-me sempre que amo. E fico ali a controlar o mundo inteiro à minha volta, a garantir que está tudo arrumado e que o espaço é suficiente para me poder movimentar sem me prender.
As lágrimas assustam-me. Aquela dor assusta-me. A dor que prevejo muito antes de acontecer e com que vivo todos os dias para que o destino não me possa surpreender. E é aí que o tempo passa, e eu não me apaixono. Amo cuidadosamente com o meu ego frágil e o meu coração ervilha. Mas a paixão, dispenso-a. E hoje, tenho de viver com isso.
Lindo, lindo, lindo!
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