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(des)construir


 Nunca nenhum momento se apropria exactamente para escrever, mas também nenhum me parece completamente despropositado. Este é um momento de alguma paz, daqueles onde me sento sobre mim própria e consigo tocar, muitas vezes, o céu. Um céu que nada tem a ver com o que roda sobre a minha cabeça. Um céu sem pássaros, sem nuvens, sem aviões. Aquilo em que toco assemelha-se à minha consciência, onde revejo os meus actos e me culpabilizo tantas vezes por ser tão cobarde, por morrer de medo da vida quando anseio desesperadamente por viver alguma coisa. 
 Espero por alguém que entenda que não me consigo atirar de cabeça a tudo o que vejo, por mais que queira, por mais que o meu coração pulse por tudo e por nada, por mais que as minhas entranhas me implorem por algumas gotas de adrenalina, vertidas pela emoção do amor ou de outra coisa qualquer. Espero por personagens que eu própria crio e acordo todos os dias com mais um traço seu desenhado na minha cabeça, invento desculpas mirabolantes para o atraso destas e acredito piamente que mais dia, menos dia, hão de chegar, exactamente como as imaginei, repletas da calma que me falta para enfrentar o mundo.
 Como posso eu esperar dos outros aquilo que nem eu própria me ofereço? Para quê esperar por aquilo que sei que não vai chegar, por mais que invente regressos e os escreva repetidamente, como uma história chata em que só mudam as virgulas e os pontos finais? Por que raio é que o amor nunca é igual no coração, por que razão é que o sinto sempre mais áspero e amargo, sempre que o toco por segundos e depois o deixo escorregar-me entre os dedos?
 Sempre tive uma capacidade fantástica para me auto-destruir. Desconstruo-me com as palavras e depois volto a montar o puzzle, peça por peça, percebendo que há partes de mim que nunca voltaram, ficaram perdidas algures na vida daqueles a quem me dei. Toco nas minhas próprias feridas com uma certa facilidade, tenho de admitir. E foi isso que me preparou para vida e também me incutiu este medo eterno de tudo e de todos, como se a melhor opção fosse sempre ficar parada e esperar por amanhã. Mesmo que o amanhã nunca chegue.

Comentários

  1. Não te destruas, desconstrói o teu caminho e vai dando um passo de cada vez. Essa pessoa há-de chegar, e há-de perceber que ir ao teu ritmo é tudo aquilo que quer. Todos nós somos diferentes, mas não é por isso que não merecemos um final feliz

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  2. Espero que dias melhores cheguem :)

    É tão bom ler, faz-nos viver tanta coisa, muitas vezes sem sairmos do lugar

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  3. Adorei o texto, dá o que reflectir

    Visita: http://trendybutterfly.blogspot.pt/

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