Senta-te aí, vamos conversar. Sei que o momento não parece apropriado, mas preciso de te dizer tudo aquilo que vive preso no nó que deixaste na minha garganta. Não tens de concordar, dizer-me que tenho razão e que vais mudar. Só tens de me ouvir.
O tempo passou por nós e não há forma de mudar isso. As marcas são tão profundas que acho que após cem anos ainda nos vamos arrepiar com as memórias que guardamos um do outro. Vou procurar-te sempre noutros homens e tenho a certeza que farás o mesmo com todas as tuas conquistas. Não há mal nisso, sabes. Se fui feliz contigo e tu comigo, não há como não querer isso novamente nas nossas vidas.
Acho que te culpas demasiado por não termos conseguido. Por não haver rumo suficiente para o nosso caminho juntos. Arrastamos ambos a mágoa do fracasso de algo que queríamos muito.
Está na hora de nos libertarmos. Eu deixo-te ir se me deixares ir e ficamos ambos em paz. Não me interessa se continuo a usar a tua t-shirt para dormir ou se ainda usas o mesmo perfume que te ofereci no teu aniversário. Não se apaga o passado, é por aí que começamos. Mas se tu construíres o teu castelo sozinho eu escondo as nossas fotografias no sótão e deito a chave fora. Não me ligas só para ouvir a minha voz e eu não volto a sorrir-te quando me perguntares se podes ficar. Deixas-me levar a minha almofada da tua cama e não voltas a saltar-me a janela só porque estás com frio. Quebraremos as promessas juntos para que mais tarde não haja desculpas para voltar atrás.
Sei que não suportamos perder-nos. Apagar a chama que se mantém sempre que nos olhamos por dentro. Sei que vamos procurar-nos ainda imensas vezes depois disto, que o fim é uma palavra demasiado pesada para a nossa leveza, mas ambos percebemos que não se pode levar um amor como o nosso à exaustão.
Não faria sentido mais tarde detestar-te por me teres levado parte da vida que eu deveria ter estado a viver. Por isso, cortamos as raízes do bem que nos une para que não se transforme no mal que nos fez colidir de frente com a razão. Vamos largar-nos aos poucos e quando nos apercebermos já não pertencemos um ao outro. Apesar de todos os à partes que isso possa ter. Independentemente das vezes que te vou querer ao meu lado e de todas as histórias que vais querer partilhar comigo. Deixar-te ir é dar-te a oportunidade de seres mais e melhor. É libertar-me para o mundo, ver-me crescer, sem mágoas nem arrependimento.
Aniquilar o sentimento será a oportunidade de guardar o melhor da nossa história para a posterioridade. Para que um dia mais tarde possas ensinar aos teus filhos que se deve amar com o coração todo, enquanto se pode. E que quando não se pode mais, devemos ser altruístas o suficiente para deixar que o coração do outro voe, mesmo que isso implique ficar longe de nós. Mesmo que isso nos destrua, nos arrebate e nos faça querer voltar a todos segundos. Que o amor é querer bem, sempre. E eu, quero-te bem.
Lindo, lindo, lindo! Amar é mesmo isso *.*
ResponderEliminarr: Eu é que agradeço :) beijinhos*
ResponderEliminarOlá :)
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