
Conheço-te. Talvez ela também. Mas pergunto-me se saberá o nome da música que dedicaste à tua primeira namorada. Disseste-lhe? Lembro-me de me teres feito rir imenso enquanto me obrigavas a prometer que não contava a ninguém. E olha para mim, guardei segredo. Esse e tantos outros.
Pode ser que ela não fale a ninguém dos teus medos. Da forma emocionada com que vês finais felizes na televisão. Da mania de encheres o peito de ar e depois o soltares lentamente quando algo te irrita. Talvez ela reconheça a tua raiva quando tremes por dentro para ninguém ver. Espero que saiba que não gostas de ser preso nessa gaiola que a vida preparou para ti e que esteja consciente que mais dia menos dia vais voar por aí.
Não sei se ela sabe dos dias em que tens de ficar sozinho. Provavelmente vai descobri-los da pior maneira, como eu. Pode ser que reconheça a doçura nos teus olhos negros quando pedes desculpa, quando engoles o orgulho sem medo, quando gritas o que te vai na alma sem que um único ruído te saia da garganta.
Pode ser que ela goste tanto de te ver dormir como eu. Da forma como perdes a armadura quando fazes amor. Dos dias em que só queres mimo e dos outros tantos em que preferes farra.
Talvez a deixes levar-te pela mão ao sítio onde já foste feliz e depois lá fiques, sem mágoas nem arrependimentos. Espero que ela te deixe ficar com as lembranças que ambos sabemos que tens, e que saiba ouvir-te no dia em que decidires apagá-las. E por favor, que ela veja o miúdo inseguro que há por detrás desse homem feito e te ajude a ser quem tu queres ser.
Porque embora o meu egoísmo me esmague o peito enquanto escrevo isto, o bem que te quero será sempre superior. E só espero que um dia lhe mostres essa parte de ti que tive o privilégio de conhecer. E que ela possa gostar tanto de ti como eu gostei. Talvez mais. Se for possível.
Sempre lindo o que escreves
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