Sinto necessidade de extravasar tudo o que vai cá dentro. Como se o peito rebentasse por carregar tantos sentimentos. Como se fosse possível.
Há dias em que preciso de escrever coisas sem sentido, ouvir sinfonias embaladas somente por um piano triste e só, dançar à chuva mesmo que o meu corpo se abrigue, cobarde. O conforto revolta-me. Não quero aninhar-me nos dias que passam vazios, não posso ser o que nunca quis, não me permito viver neste mundo que não é meu. Não é meu porque não te tenho, talvez.
Desde sempre que me reinvento, não sei se quero ser melhor do que antes se só quero ser diferente todos os dias. Agrada-me isto de explorar a dor dos outros, as mágoas nos olhares que passam por mim, as lágrimas alheias que me tocam e me arrepiam desde que me conheço por gente. Não sou melhor por causa disso. Pelo contrário, quanto mais vejo os outros sofrer mais me retraio.
Ainda assim há um certo encanto em superar adversidades, olhar para trás e ver a montanha imensa que se escalou. Mas nunca se chega ao topo, isso são ilusões. Na vida sobe-se sempre; mesmo que pareça (muitas vezes) que estamos a descer, a ruir ou a destruir a nossa própria ilha.
Perde-se, é verdade. Muitas vezes, até. Mas mesmo quando batemos no fundo estamos a escalar. No sentido oposto, é certo, mas nunca paramos e é isso que nos caracteriza seres vivos.
De todas as vezes em que pensei em desistir acabei vencida e de orgulho ferido, obrigada a reconhecer o tamanho dos meus sonhos. Que são enormes. Que não me cabem no corpo e por isso aprendi a pô-los no papel. Na esperança de imortalizar tudo o que quis para mim, um dia. Mesmo que isso não seja o que vou querer amanhã, quando houver sol e tu tiveres regressado a casa com o espírito livre e o mesmo olhar apaixonado. Independentemente se partes na manhã seguinte ou se ficas a vida toda.
Porque é o amor que nos move. É o amor que me move. É nele que tenho fé e foi ele que me ensinou a perdoar. Perdoar-me a mim mesma por te querer; e a ti, por não me quereres.
Absolutamente maravilhoso! E concordo com muitas coisas deste texto*
ResponderEliminarr: Eu é que agradeço*
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