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(re)começo


 Não te escondas, vais ter de o encontrar um dia destes. Não vale a pena fugires, mudares de casa, de país, de continente. O mundo é tão pequeno que quando já não te lembrares que a tua vida passou pela dele vão bater com os olhares de frente, desarmados, mudados pelo tempo e pelas circunstâncias e não vais querer fugir. Provavelmente quererás prolongar o momento, perceber meticulosamente o que é que mudou, se a felicidade o visitou vezes suficientes para lhe desenhar rugas perto dos olhos e se o seu sorriso ainda te causa borboletas na barriga.
 Sim, eu sei que agora parece impensável. Que o mais fácil seria fazer correr os dias, mudá-lo de planeta e garantir que não haveria forma de te lembrares que sofreste. Mas, as memórias pertencem-te. E um dia vais perceber que são a única coisa que verdadeiramente fica de quem já se foi.
 Não há como mudar a dor que estás a sentir. Podes tentar. Camufla-a, finge que não a sentes e corre todas as ruas do bairro à procura de algo que nunca vais achar. Mais tarde ou mais cedo vais ter que a enfrentar, olhá-la nos olhos, desafiá-la e por fim deixares que te consuma. Porque não há forma de se ver brilhar o sol sem se enfrentar a tempestade.
Por isso e por tudo o resto, não te escondas. Não corras do passado, ele é teu, pertence-te e o mais certo é que se cruze contigo mais vezes do que esperas. E se ele te sorrir, sorri-lhe de volta. Engole as lágrimas que afinal não estavam extintas e chega perto. Toca-lhe, se tiver de ser. Sem medo. 
Volta onde já foste feliz, faz o luto como entenderes, só não te esqueças que foste feliz. A dor tende a aniquilar as boas memórias, não deixes. Conserva o que foi bom e deixa que o tempo te mostre o melhor caminho. A vida não acabou por aqui, pelo contrário, está só a começar.

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