Queres dizer-me tantas coisas que ficas calado. Acho que te persegue o medo de errar ou então sou eu que te encho de histórias, expectativas, sonhos, castelos na areia. E aí ficas sem espaço para seres tu enquanto eu transbordo de mim própria. Perdoa-me. Perdoa-me a insensibilidade de querer viver tudo de uma vez. Perdoa-me o egoísmo ingénuo. Tens medo que o mundo acabe, dizes-me tanta vez. E tenho mesmo. Tenho tantos medos que nunca te saberia dizer qual deles me assusta mais.
Olhas para mim sereno. Como se nada nesta vida te inquietasse. Como se o mundo pudesse não acabar amanhã. E essa calma deixa-me feliz por te ter encontrado. O teu pulso acalma o meu, a tua aorta sossegada acalma os meus impulsos e hoje já consigo sentar-me ao teu lado sem querer ir viver para outro lado.
Ensinaste-me a querer ficar. Tornas-te o meu coração menos nómada e por vezes já me sinto em casa. Em tua casa. Nunca me domarás o espírito, mas sabes disso. E aceitas com uma doçura só tua.
Mostraste-me que o amor pode ser vivido todos os dias, nas pequenas coisas e nas vezes em que deixas bilhetes na almofada para não me acordares. E quando sais há um vazio que se alastra, uma solidão que aprendi a gozar para que me saiba melhor o teu regresso. E sabe-me a mel, acredita.
Somos faces opostas da mesma moeda. Mas já não seríamos dois se fossemos iguais. Se não me mostrasses o lado menos efusivo da vida sempre que acho que o meu castelo desabou. Sempre que as emoções me consomem e deixo de saber quem sou. Estás sempre lá para me encontrar. Todos os dias sentado no teu banco de jardim preferido, onde não te importas de me ver tropeçar se isso me trouxer a ti depois. Onde me dás a liberdade de poder escolher e eu te dou a liberdade de ficares em silêncio.
Foi nesse teu terraço onde se vê as estrelas que percebi que o mundo se calhar não acaba mesmo amanhã. Foi no teu abraço perante o meu sucesso e as minhas derrotas que percebi que não vale a pena querer viver tudo de uma vez se vida me dá a oportunidade de apreciar os momentos. E partilhá-los. Contigo, com o teu sorriso rasgado, o teu coração gigante e o teu amor que me envolve, me transforma, me conforta. Nada vale mais do que isso. Nada vale tanto quanto isso. Obrigada.
Há sempre quem acalme a tempestade dentro de nós.
ResponderEliminarAdorei o texto!
"Tornas-te o meu coração menos nómada e por vezes já me sinto em casa." Lindas palavras, tens um espirito selvagem e eu leio-me muito nisto. Adorei e espero ler mais :)
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