Eles não sabem que
há caminhos que só se percorrem uma vez. Que um amor falhado pode causar mais
danos que um tsunami. Que o ser humano muda e se molda, acreditando com a mesma
facilidade com que perde a fé.
Eles não sabem, e
ainda bem. Há dores que não deixam marcas no corpo mas fazem mossa na alma. E
depois de uns anos a conviver com o assunto há um dia em que nos conformamos.
Nada se torna cor-de-rosa, a vida continua lá fora e não há outro remédio se
não acertar o passo. Dar a volta por cima mesmo que fiquem nós por desatar. Há
perguntas que nunca vão ter uma resposta, mas eles não sabem.
O comum incomoda-me. Prefiro passar o resto da vida sozinha do que forçar o meu coração a pernoitar onde ele não quer estar.
O comum incomoda-me. Prefiro passar o resto da vida sozinha do que forçar o meu coração a pernoitar onde ele não quer estar.
O amor passageiro
não me atraí. Noites esporádicas com pessoas aleatórias não me dão prazer.
Nunca me deitei com ninguém com quem não pudesse acordar. Mesmo que as manhãs sejam
enfadonhas e os despertadores acabem por tocar. Mesmo que o futuro não seja
garantido e a felicidade seja sempre momentânea.
Eles não sabem dos meus fantasmas. O que me
assombra está longe de me dar sossego. E ainda bem. Não fosse isso e já tinha
parado de escrever à muito tempo. Não fossem eles e já tinha enlouquecido.
Porque das poucas
vezes em que soube quem sou, estava a escrever. A maioria das vezes não sei o
que quero e o que espero do meu futuro é somente um coração que não se acomode
e uma alma que nunca se prenda. Sou nómada. Nunca me vou cansar de sair do lugar.
Eles não sabem sobre mim. Há lugares em mim onde não quero levar ninguém. Outros tantos onde existe ainda tanta coisa por arrumar. Convicções ganhas a pulso e outras tantas por impulso. E ainda agora continuo sem saber se quero olhar para o amor
como ele é ou como eu gostava que fosse.
Um dia acordamos e o
mundo girou. As pessoas saíram do lugar. Batalhas que perdemos. Derrotas que
vamos demorar anos para digerir. A carga cai-nos sobre as costas e aprendemos a suportar. É isso que eles não sabem; o peso dos meus sonhos e da força que os leva para a frente. A velocidade com que sou, tantas vezes, abalroada pela realidade e obrigada a começar do zero. As vezes em que só quero desistir. E depois me vejo forçada a insistir. Outra e outra vez.
Eles não sabem, e ainda bem.
Adorei o texto!
ResponderEliminarAinda bem que eles não sabem, dizes e com muita verdade nas tuas palavras. Adorei o texto :)
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