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até amanhã


 Ainda te vejo chegar, encostas-te à ombreira da porta do meu quarto e dizes qualquer coisa que não percebo bem. Ainda oiço os teus passos quando a casa está vazia. E a tua respiração a interromper o meu silêncio.
Confesso que me cais muita vez em esquecimento. As coisas permaneceram no mesmo sítio desde o dia em que cá estiveste pela ultima vez. Não houve grandes revoluções, gritos ou cadeiras pelo ar. A tua despedida foi suave e disseste "até amanhã". Perdoo-te a mentira, sei que tiveste de ir.
 Sinto a tua falta. Ainda mais das tuas palavras e das piadas ao fim do dia. Ás vezes dou por mim a rir-me de coisas que me disseste à séculos. Recordo-me da forma como gostei de ti e não resisto a sorrir(-te). Foste o pássaro mais leve do meu coração. Bem diferente de tudo o que tive e de tudo o que me tinham dado. Construíste uma ponte para que pudesse sair da bola de neve onde vivia, contaste-me que o amor fere toda a gente um dia e obrigaste-me a desafiar o medo.
Obrigaste-me a desafiar-te, que foi quase a mesma coisa. E foi tão doce. Como a melhor das paixões adolescentes. Com todas as minhas feridas, todas as tuas cicatrizes. Os meus medos e a tua coragem. A minha timidez e a tua gargalhada. Os teus braços a puxarem-me e o meu cérebro, cobarde, a dizer-te adeus.
 Sabes das minhas crenças, dos meus ideais e das minhas tão poucas expectativas. Acredito que me tenhas guardado onde te guardei e que amanhã ou noutra vida nos voltemos a sentar para conversar. Talvez possas vir a ser o amor da minha vida. Por agora, deixo-te onde estás. Sossego o meu coração e vou à minha vida. Há ainda muito por caminhar, ensinaste-me tu.

Até amanhã.

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