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e agora?


 Hora de recomeçar, pôr os pés no chão e perguntar ao destino: então e agora? 
É tempo de não nos contentarmos, obrigue-mo-nos a ser realmente felizes. Não faz sentido se não for sentido. Sintamos, então. Com a intensidade que o coração permite.
Aprendi que não temos limites. Cria-mo-los, por segurança. Do corpo, somente. A alma vai sempre mais além. As metas que traçamos ficam muito aquém daquilo que conseguimos realmente fazer. Eternamente limitados, presos numa gaiola que criamos para nos proteger. Mas não nos protegemos, fecha-mo-nos apenas.
 O mundo é tão grande que nos torna pequenos. Ficar a marinar numa rotina que não nos acrescenta só nos torna mais minúsculos. Cresçamos, então. Sejamos tudo aquilo que queremos ser quando ninguém está a ver. Sejamos melhores, connosco e com os outros. Podemos sempre mudar o que está mal. Podemos sempre mudar o que está bem. Interessa errar, cair, chorar. Interessa o egoísmo de uma alma que não se prende e o altruísmo de um coração que não fica indiferente. Interessa a essência, mil vezes mais do que a beleza. Quando as luzes se apagam é ela que fica.
 Sempre quis mudar o mundo. Hoje quero só mudar-me a mim. Mudar os meus. Para melhor. É isso que muda o mundo. A mudança constante não me atormenta. Pelo contrário, alimenta-me.
Sempre quis escrever. Nasci com essa certeza. E sempre escrevi para mim porque ler-me ajuda-me preencher os espaços que tenho em branco. Lacunas de uma luta interior constante. Frustrações infantis. Outras nem tanto. Sonhos que me vi obrigada a engolir para não sufocar. Vontades que reprimi por ter um coração ervilha que sempre o há de ser. 
 Sou apaixonada por coisas tão banais que me pergunto tanta vez porque é que preciso do resto. Porque é que precisamos do resto. O que nos alimenta o ser está em coisas tão pequeninas que passamos a vida inteira a passar-lhes por cima. Sejamos mais atentos, então. Vejamos o quão frágeis somos e o quão rápido passamos pela vida. Olhemos para o céu, para o amor e para o futuro com o coração aberto e o sorriso rasgado. Nada é mais raro do que existir.

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