Curioso como as pessoas amam quem não as ama. E como quem não sabe receber esse amor normalmente também está mergulhado numa falta reciprocidade. Nem sempre é uma questão de saber, muitas vezes é apenas sentir. Curioso como quem não ama normalmente se culpa. Culpa de quê, pergunto. Obrigar o coração a ficar onde ele não quer estar é uma luta tão desnecessária como dolorosa.
Bom é quando o sentimento é do género boomerang, volta na mesma intensidade com que é lançado e sabe exactamente o sítio de onde partiu. De nada vale o amor vertido em enxurradas para dentro de um copo minúsculo. De nada vale o copo meio cheio. Amor que é amor transborda.
Curioso como há amores que não morrem. Mesmo quando o tempo passa e a chama se apaga. Vai a
paixão, vai o desejo e as hormonas associadas mas fica um bocadinho de não-sei-o-quê no fundo que não evapora. Fica ali a marinar numa mistura de solidão e esperança. Como se o outro fosse bater à porta amanhã de manhã e todo o passado pudesse ser riscado e reescrito.
Não pode, na verdade. Nada do que sofremos pode simplesmente ser rasurado e deitado fora. Há memórias que o coração apaga para não ter de as ver projectadas no tecto de um quarto vazio, no entanto os fantasmas voltam à mínima tentativa de cometer "o erro" pela milésima vez.
Gosto de pessoas optimistas. Mas gosto ainda mais de pessoas que sabem gostar de si o suficiente para ter a noção que há sítios onde fomos felizes aos quais não se volta. Tendemos a encaminhar-nos para o que conhecemos porque temos medo de descobrir outros fins. Medo de cometer outros erros que nos tragam outras dores e outras lágrimas. Receamos o futuro porque o passado foi doloroso e achamos que o futuro não merece o esforço.
Continua a ser curioso a forma como fugimos da felicidade por nos termos habituado à dor. Como nos recusamos a entregar as mágoas para receber outra coisa qualquer que já não nos lembramos ser possível.
Curioso como há amores que duram uma vida inteira sem serem alimentados. Felizes aqueles que terão sempre dois braços abertos para onde voltar, à custa de um coração obstinado que resolveu estagnar. Pobres desses a quem lhes pertence o coração. Não há forma mais ingrata de se viver.
Estagnar é mesmo o pior que nos pode acontecer!
ResponderEliminarr: Sim, nem sempre é
ResponderEliminarBeijinhos*