Gosto de ti. Com o estômago às voltas e o coração fora da caixa. A maioria das vezes não sei se quero ficar ou fugir a sete pés. O chão que piso é tão incerto que vivo sempre na corda bamba, sabes?
Não há amor que não me assuste. É como repelente. Quando me apaixono a minha primeira tentativa é de afastamento. Curioso, não é? Quero tanto ficar perto, quase dentro, que me assusto. Vou ali à minha vida só para tentar esquecer um bocadinho. Não suporto a fragilidade de um coração exposto e, sinceramente, não sei se nasci assim ou se foi a vida que me obrigou.
Não sei se sabes o quão difícil é ser eu. Sentir que há algo que não controlo deixa-me como um peixe fora de água. O medo e a crença negativista de que é sempre bom de mais para ser verdade prendem-me os pés ao chão e colam-me o coração à boca. E bem sei que prometi viver as coisas com mais tranquilidade, mas mesmo quando juras ser amor eu duvido. Duvido sempre porque estou formatada para questionar. Tenho um cérebro manhoso e um coração ervilha, o pior de tudo é que tu não sabias.
Se um dia fugires talvez eu perceba. Ou talvez fique muito tempo a culpar-te por não teres tentado mais (logo agora que estava quase). Se um dia ficares, vou agradecer-te, Mesmo que não verbalmente (sabes que tenho um problema em verbalizar, certo?), vou acordar todos os dias e agradecer. Porque, no fundo, não perco a fé. Hei de acreditar sempre na outra metade da laranja. E no amor, mesmo que ele me assuste. Se ficares, hei de fazer projectos imaginários e incluir-te em todos, prometo.
Se um dia formos muito felizes talvez te escreva um livro só para me desculpar. Se um dia não formos muito felizes vou querer sempre que o sejas, aqui ou no outro lado do mundo. Porque me tocaste o coração e não fazes ideia do quão árdua pode ser essa tarefa (ou fazes?).
Na verdade, ninguém pode prever o futuro. A promessa de que vais estar aqui amanhã quando eu acordar pode ser esmagada por tantos factores que se pensar em todos nunca mais saio da bolha. Então, deixa-me só fingir mais um bocadinho que controlo o mundo para eu não enlouquecer. Talvez um dia eu me deixe disso. Ou talvez não.
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