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castelo




 A vida que achámos perfeita para nós dissipa-se. Porque é que as reviravoltas têm de ser sempre tão dolorosas? Porque é que julgamos amar profundamente aquilo que nos magoa? 
 O amor dissipa-se com a desilusão. O que fica é a nossa obstinação com finais felizes. Não queremos falhar porque nos custa mais assumir o fracasso do que seguir em frente.
 Não queremos desistir logo. Porque não podemos. Não podemos saber à partida que não vai dar certo. Não podemos dar uso ao sexto sentido. Melhor será que aquilo (do qual não podemos desistir nem que a vaca tussa) nos destrua. Melhor será que aquilo não deixe nenhum bocado de nós para contar a história. 
 No fundo, sempre soubemos. O que nos dizem soa bonito mas não nos faz sentir melhor. Só nós sabemos o que é respirar dentro de uma armadura. Só nós sabemos o que é não desarmar mesmo quando o terreno parece seguro. Porque a vida já nos pregou tantas partidas que estamos ali só à espera da próxima. 
 E se em nós nos surge a vontade de bater com a porta e desistir, acusam-nos o passado. Dizem-nos que não demos a volta por cima e por isso nos baralhamos. Dizem que confundimos o desamor dos outros com a nossa própria falta de amor.
 Eu cá acho que se aprende mais rápido nesta vida o que não se quer, do que propriamente o que se quer. Acho que se por algum motivo pensamos que sabemos, é porque sabemos. No fundo não vemos isso porque acreditar é bonito e não desistir também - dizem-nos eles. Nunca temos ninguém que nos diga: se não estás bem a ir por aí, cruza a rua. As pessoas precisam de finais felizes e é por isso que nos incitam sempre a continuar, a cruzar as mil pedras que se avistam adiante só para que um dia possamos construir o tal castelo.
Pergunto-me: e se quando lá chegar eu já não quiser viver no castelo?


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