Dizia-te há tempos que te escrevia a última carta. Com a mesma convicção com que o digo hoje, mesmo sabendo o quão idiota isso pode parecer. As letras moldam-se como as tuas mãos no meu corpo, soam perfeitas quando sei que é a ti que me dirijo, que é para ti que escrevo como quem nunca se cansa de tentar.
Gostava que já tivessem passados muitos anos. Preferia que a caneta deslizasse no papel com menos embaraço e que não houvesse já nenhuma ponte entre nós. Seria mais simples se eu não fosse exageradamente obcecada por letras e tu não fosses tão interessado na minha loucura. Seria mais fácil se eu tomasse como certo o teu coração vazio e me fartasse de investir nele. Mas não. Tu és oco e eu gosto de bater com força no teu peito, na esperança vã de encontrar alguma coisa.
Esperamos sempre o melhor daqueles que amamos. Ou daqueles que amámos um dia e por isso mesmo não conseguimos deixar de sentir o mesmo apego frágil de outrora. Mesmo que esse amor já tenha sido completamente mastigado pelo tempo.
Encontrei este texto inacabado, perdido num computador antigo. E ele trouxe-me aqui.
Volto sempre porque é aqui que me encontro, uma e outra vez.
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