Engraçado como a vida nos molda numa forma bem pequena e desconfortável. O tempo dá-nos calo mas não nos tira a dor de viver dentro dos limites. Gostava de me visitar, lá atrás. Fui uma miúda incrivelmente feliz mesmo quando acreditava estar profundamente infeliz. Escrevi rios de palavras que hoje guardo no fundo de um baú cheio de pó. Hoje guardo mais para mim e sou politicamente correta, creio. Sinto falta de extravasar o que me vai cá dentro, sem que nada me seja exigido. Sempre escrevi fora das linhas porque era lá que me sentia bem. Criei realidades bem próprias e foi por isso que me escondi sempre tão bem do mundo à minha volta. Aprendi muito sobre dor e saudade. Hoje não me pesam os amores não vividos nem as cartas não correspondidas. O vazio que fica é profundo e não há forma de colmatar. A pessoas ...
Gostava de pintar o futuro como quem rabisca uma tela em branco, sabendo exatamente o sítio onde passar o pincel. Este futuro que vivo é tão assustador que me esqueço tantas vezes de viver o presente. Não vos sei dizer ao certo o que mais me assusta. Ás vezes acho que é a incerteza. Outras, são as dúvidas se o passado que está lá atrás não seria uma história mais bonita de se viver. Emaranhei-me tantas vezes por não querer virar a página. Acobardei-me, fiquei no meu quanto. Perdi a conta ao que não vivi por medo. Orgulhosamente nunca o admiti. Mas sei-o. Sei tão bem. A mudança primeiro alicia-me e depois destrói-me por dentro. Não sei quantas lágrimas já engoli, mas acho que qualquer dia transbordam. O meu eu pessimista grita-me ao ouvido, não consigo abstrair-me. Finjo uma calma saloia. Não disfarço assim tão bem, mas os outros também fingem não ver. Não há tempo para gente cobarde. Não há espaço para medos e dúvidas. O momento de agir é agora e toda a gente pas...