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Mensagens

A mostrar mensagens de agosto, 2012

zero

 Já a noite vai longa quando me lembro que me esqueci de ti. Bolas, como eu desejava ter estado presente, continuar a trazer-te ao colo e beijar-te a testa para que sentisses que és alguém no mundo. Mas arruínas-te todos os meus sonhos, fizeste troça do que tão ingenuamente nutri por ti, esmagaste-me o coração e o resto do corpo contra o poço que foram os dias frios e áridos, sem saber de ti nem de mim, sem saber de nós e do nosso futuro, que desenhei e gravei na memória, para mais tarde recordar.   É triste quando alguém nos deixa, sabias ? Tudo se torna negro e o futuro parece tão impossível de alcançar que só de pensar nele ficamos cansados. Cansados de viver e de esperar, de querer e de desejar, de sonhar. O pior da solidão é que nos consome os sonhos. Ficamos mais vazios por dentro, crescemos como máquinas, com o sangue a entrar e sair das artérias sempre ao mesmo ritmo e com o tão simples objectivo de nos manter vivos. E de nada vale viver se...

margarida rebelo pinto

Já que todos falam, vou pronunciar-me. Conheço o trabalho da Margarida Rebelo Pinto. Guardo na estante grande parte dos seus livros, devoro-os vezes sem conta, e não, nunca a achei uma escritora igual às outras (e teria mesmo de ser?) Tem um não-sei-o-quê de cronista, outro tanto de mulher, igual a todas as mulheres do planeta. Veja-se, numa época onde o machismo ainda é permitido, porque não dar uso ao feminismo? Sou pela igualdade. Adiante. Não acho minimamente bonito o que escreveu na tão agora polémica crónica "As gordinhas e as outras". É de uma falta de chá tremenda, tenho de concordar. Não cabe a ela criar estereótipos, dar razão a comentários perversos que todos sabemos que existem à cerca do excesso de peso. Mas a liberdade de expressão existe para ser usada, doa a quem doer. É mesmo assim.  Depois de ter visto uns quantos comentários igualmente mesquinhos à cerca não só da crónica mas da escritora, sinto-me no direito de expressar a minha opinião di...

assim

 Deveria falar-te do meu amor por ti, a qualquer hora do dia. Deveria saber dizer que te amo, nos olhos para que sentisses a verdade das minhas palavras, a pulsar, a rebentar-me no peito. Devia, mas não. Habituei-me a dar no silêncio do meu próprio querer, embrulhada no sentimento que me entope as veias e me congestiona a vida. Estou feita a este hábito pouco hábil que é não saber vociferar o que de mais profundo eu sinto, e me transcende.  Mas dói-me o coração. Porque não o liberto das amarras, a não ser quando escrevo e ele me salta estrategicamente para as pontas dos dedos. Peguei-lhe o medo, e sinto-o encolher-se como uma ervilha cada vez que penso que será aquele o derradeiro dia da tua partida, de malas e bagagens feitas à porta daquela que é a nossa vida a dois, com beijinhos na ponta do nariz e conversas envergonhadas à cerca da paixão que nos prende ao mundo. Vejo-o retrair-se com medo que me digas que o teu amor já não é da cor do meu, e que o teu corpo ...

suspiros

 Depois de algum tempo a remexer na ferida, as lágrimas - inevitáveis - acabaram por ceder. E como eu gosto de ser o sol, de me rir e de saltar para dentro da felicidade dos outros, e no fim do dia não saber qual a melhor cama para adormecer (se a tua, se a minha). Na minha cabeça existem agora projecções de um futuro incerto, sem as nossas coisas espalhadas pela casa, e nós a morrer de amores naquela varanda que bem que podia ser nossa, a contar pelas vezes em que lá fomos felizes. O sono tarda a chegar, e chega mal. Sonho contigo e estás tão longe que não te consigo alcançar. (Queria tanto contar-te os meus sonhos)  No meu corpo o sangue escorre com cansaço, já não te sinto a borbulhar em mim e o teu cheiro - a mel, garanto - deixou de me afogar na paz de sempre. Morro, morro de saudades de te ter comigo da forma mais absoluta possível, ver-te correr sobre a minha pobre alma despida para mais tarde adormeceres ao meu colo. E esse respirar profundo, dá-me a mim a...

fod****

 Vais lembrar-te do meu cheiro, um dia. Vais tentar imaginar o meu rosto e não vais conseguir, porque a distância apaga os traços e os contornos. Vais querer uma mensagem minha, um beijinho no coração. Vais procurar-me junto ao teu corpo, vais remexer os lençóis, as almofadas e os baús das recordações. Vais ler as nossas conversas, vais rele-las e perceber que um dia até gostarias de escrever um livro. Vais perceber que o que sentiste foi amor, que a dor é algo que só vem depois, porque custa.  Vais querer que te abrace, que te mexa no cabelo que te prometa que vai ficar tudo bem. Vais implorar o meu colo, o meu sorriso e o som da minha voz. E vais esquecer-te de tudo, mesmo que todos os dias te lembres, porque a memória só sobrevive se for alimentada.  Vais procurar-me, vais achar-me e perceber que estou mais alta. Vais querer falar comigo, relembrar a forma como articulo as palavras. Mas terás medo, medo dos teus próprios erros, das vezes em que não fizeste nad...

fogueira

 Estás longe e vais demorar a ler esta carta. Mas espero sempre por ti, está-me no genes, e se o teu coração te obrigar a esperar até leres o fim da nossa história, não hesites nem temas, a vida há de te levar até mim.  Não sei se é bom falar-te de amor, não sei sequer se algum dia foi bom fazê-lo. Mas vivo tão aterrorizada com o vazio que tive de te contar a imensidão daquilo que despertavas em mim, como quem acende uma fogueira. E sim, talvez nunca tenhas percebido, talvez o meu coração não saiba chegar ao teu e por isso vivemos agora em pólos tão apostos que só te vejo quando desces aos meus sonhos e por lá pernoitas, até a maldita luz do dia me despertar para a realidade (realidade dura esta, sem ti).  Mas habituei-me a acordar com a tua ausência, sem o teu cheiro na minha almofada, sem o teu corpo colado ao meu a qualquer altura do dia, e esse hábito tomou-me conta do esqueleto, e agora penso que já não sinto a tua falta. Embora toda a minha vida conti...

boa sorte

 Coração rápido, cérebro lento. Nada trabalha em simbiose no meu corpo, é escusado tentares. Tenho sempre muito que escrever, muito que dizer. Mas fico calada - não saberias ouvir-me. Busco em ti toda a felicidade que há no mundo, e escavo-te o peito até não restar mais nada. Assusta-me o teu vazio, esse coração cheio de ar. Tenho medo que me deixes, que me percas. Não que a solidão me assuste, mas temo o teu regresso. E no fundo do meu ser guardo a esperança vã sempre associada às tuas repetidas investidas na minha vida - quem me dera que te tivesses ido de vez.  Hoje é tarde, tenho os pés colados ao teu chão, à tua atmosfera colorida e pouco fiável, em que acredito como se não houvesse amanhã - e todos os amanhãs me parecem absurdos sem ti. Mas não há volta, tu vais voltar a bater-me com a porta na cara, uma pancada firme e esclarecedora, que dói mais na alma do que no corpo, e eu serei obrigada a sorrir(-te). Só porque usas um discurso bastante plausível sobre a ...

cheio até à rolha

 Apetece-me devorar a caixa de cigarrilhas antigas que guardo a sete chaves, como quem desenterra um esqueleto para matar saudades. Tenho vontade de escavar bem fundo a depressão que sinto no peito, ao som débil da tua voz por de entre os meus dedos. E sinto falta das tuas perguntas  inconvenientes , do teu mau humor quando adormecias. Sinto-te sempre presente na minha vida, nas minhas coisas, nos meus pensamentos mais macabros que continuo a só partilhar contigo, por uma questão de segurança.  Prometi-te tudo, deves lembrar-te. E dei-te o meu coração, mas disso já te esqueceste. Mas não o quero de volta, está cheio de ti até à rolha. Quero um coração novo, sem recortes nem feridas, sem portas que não se podem abrir e janelas tapadas com cortinas. Quero uma batida controlada e umas artérias com juízo, um sangue que não ferva e uma armadura à prova de bala. (..)  Mas se não mo puderes dar, garante apenas que o que possuis continua contigo, para onde quer que...

um até já

 A melhor maneira de continuar, é nunca parar. É nunca desistir de se ser e de se sonhar. É saber dançar ao som de uma tempestade, é não tropeçar na mesma pedra duas vezes. É decorar a morada do inimigo, e desejar-lhe o melhor. E quando o inimigo somos nós mesmos, o mais conviniente, é mudar de casa. p.s: andei ausente, espero que me perdoem, companheiros. ainda me estou a organizar, responderei aos vossos comentários o mais rápido que me for possível. um até já.