A imprevisibilidade da vida está, muitas vezes, em encontrar o momento certo na pessoa errada. Aqueles cinco minutos que até podiam ser perfeitos se quem os partilha connosco se pudesse sentar um pouco para os apreciar. Há um vazio qualquer no momento certo. Quando a rotina fica calma e não há ondas no mar. É como o fim de um dia que desejámos muito: passa sempre depressa e nunca é exactamente aquilo que estávamos à espera. Mesmo que tenhamos feito mil planos e preparado tudo ao pormenor. Estou, por natureza, habituada a esperar muito pouco. Das pessoas, principalmente. Elevo as expectativas apenas quando gosto muito e sei que aquilo é terreno seguro para se pisar. Mantenho sempre um pé atrás, numa corda bamba que é minha por defeito. Um baú cheio de coisas minhas e muitas gavetas por arrumar. Talvez por isso viva com a consciência plena de que nada dura para sempre. Somos seres em constante evolução e nunca sabemos se amanhã a corda se parte e ficamos sem chão. ...