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Mensagens

A mostrar mensagens de setembro, 2011

meio cheio, meio vazio

 Conheço-te bem, ou talvez não. Talvez esta seja só mais uma suposição macabra do meu coração, na esperança fútil de procurar uma verdade.  Escrevo-te agora que já te foste, depois do sol se pôr como é costume, só para te deixar uma sílabas carregadas da saudade louca que tenho de ser feliz, em pequenos instantes, como era contigo. Aprendi a andar com o copo meio cheio, meio vazio para te poder acompanhar, sempre controverso e confuso, com a passada larga e irregular, como se nada no teu cérebro fizesse sentido.  Irónico é eu escrever-te, sim. Quando nunca o fiz, quando a necessidade de rabiscar palavras em tua honra nunca foi imperativa, mesmo quando te amava no limite do muito, com o copo quase cheio da tórrida mania que eu tinha de gostar de ti. Os meus vocábulos só te eram dirigidos quando me pedias que desenhasse sentimentos, mas já mais enchi o copo, assim como nunca o esvaziei.   Tornei-me cúmplice de um desenlace bem bicudo, enrolei-me em mim ...

criança

Não lhes falei de ti, meu amor. Mas estou deliciada, porque voltaste a levar-me a ver as bailarinas. E só tu sabes o efeito que isso tem em mim, sabes ler-me no sorriso a verdadeira expressão de felicidade cada vez que o soar do piano se faz ouvir, e elas lá vão voando, sobre o palco e sobre os nossos corações, enrolados a toda a hora.  És um verdadeiro príncipe porque me fazes achar a mágoa a coisa mais ridícula deste mundo, a seguir da dor e do aperto no peito, que se instala sempre que tardas em chegar. Tens-me dado sossego, falas baixinho sobre o meu peito e deixas-me adormecer a ler-te poesia, mesmo que os teus tímpanos implorem por segundos de silêncio. Ouves-me sempre, com essa agilidade certeira que tens para as pessoas, e para mim, que não sou pessoa nem gente, que vivo mais entre o irreal e o impossível, e que mesmo assim, me encaixo em ti como uma peça de um puzzle.  Continuo a não segurar as pálpebras nas longas viagens de regresso à nossa casa, onde m...

terrorista

 Aguentei durante dias a fio a dor, a expressão de desilusão. Reprimi as lágrimas e refugiei-me nos textos esperançosos e motivantes. Fechei os olhos e imaginei que estava intacta, sem nenhum buraco dentro do peito, as pernas prontas a fazer o caminho que me resta, a cara lavada da mágoa, enrolada dentro do coração.  Deixas-me de rastos, como nunca me senti antes. Com o orgulho ferido pela seta do cupido, a estúpida vontade de acordar que não me deixa, a questão problema sempre a martelar-me o cérebro, dia e noite. Não quero pensar, não quero ter de pensar, quero fechar-te a porta sem fazer barulho, sem que me oiças ir embora, pé ante pé, desprovida do som monocórdico da despedida. Prefiro que me deixes ir, que não me voltes a puxar para a tua cama e para o teu coração, eu só quero ver-me livre de ti.  É frustrante amar um erro, um terrorista, um príncipe que vira monstro. Só pedia que caísses desse teu cavalo de mentiras para enfrentares isto como eu, com os p...

biblías

 Sinto a tua falta, e devo estar a ficar louca. Mas pela primeira vez não estou a derreter-me em lágrimas quando ninguém vê, não me aninho no silêncio para calar a mágoa, e não voltei a ler os livros que me servem como bíblias após desgostos amorosos. Estou a aguentar-me como eles dizem. A ser forte. E acho que nunca tinha sido forte antes, nunca me levantei perante quedas, sempre preferi ficar no chão e lamentar, até já não existir mais água que pudesse jorrar dos meus olhos. Surpreende-me, acho que me fizeste crescer, perceber com o tempo que não podemos ser de ninguém, que o nosso coração passa por ser só nosso, porque vai somente manter-nos vivos, enquanto quiser-mos que assim seja.  E é desta força que eu não dispenso nem lamento, e não é por ela ter o teu cheiro, a tua voz ou os restos do teu amor por mim, simplesmente porque me mantém de pé, inquebrável, como nunca pensaste que poderia vir a ser.

verdadeiro amor

 Não existem analgésicos, nem anestesiantes, nem poções milagrosas para apagar a memória, nem a dor, nem o próprio amor que soa tão inconveniente nestas situações. Mas aprendemos a sobreviver, a achar piada ao facto de adormecer-mos com a ideia de que o acordar será uma meta inatingível e aos poucos nos apercebemos que pensamos nisso noite após noite.  São os amigos, no seu estado mais puro e verdadeiro que vão sendo lenços para as nossas lágrimas, carregadores perfeitos para as nossas baterias. São os irmãos de outro sangue que nos envolvem o coração num novelo de paz, cheios daquela luz que só a cumplicidade e o tempo lhes atribuem.  E nestas alturas não olhamos à volta, não tentamos perceber se o conforto que nos proporcionam é absoluto ou apenas passivo, deixamos só que nos embrulhem numa manta quente, para deixar-mos correr à vontade as nossas lágrimas. Perdemos a vergonha e o medo de acreditar no mundo, porque temos a alma o coração feridos e ...

sem título

  Quis que a justiça me coubesse nas mãos para a poder executar, mas ficarei grata à tua consciência se esta algum dia decidir pesar.

sacanas, falhados e cabrões

 Sempre olhei de lado para textos de belas-adormecidas chorosas, cheias de medos e inseguranças à conta de príncipes idiotas, lamentando profundamente a sua perda, a sua longa ausência, e pior, a sua existência. Confesso que me agoniavam as críticas aos maus meninos, aos sacanas, aos falhados e aos cabrões. Dava-me uma certa volta ao estômago perceber que a sociedade se auto-dividia facilmente, e que os homens ocupavam sempre o pior lugar do conto de fadas, como se, passassem de heróis a vilões num ápice.   Nunca percebi bem as cartas desesperadas, as tentativas de suicídio, a falta de apetite e a choradeira constante, que eu lia e presenciava, achando sempre que tinha, ao mesmo tempo, sorte por nunca ter tido necessidade de me enforcar nas minhas próprias palavras, só para que se tornasse mais fácil viver.  Errei quando me achei na pele da princesa sortuda, quando a sorte nunca esteve do meu lado, quando as poucas verdades em que pude crer foram as m...

outra vez ?

 Tenho de vomitar esta enxurrada de palavras cobertas de mágoa e do desespero infantil de quem só quer que tudo não passe de um sonho. Custa a crer na existência de pessoas más, ainda mais quando as amamos com o coração aberto, sem a mais ínfima hipótese de tudo ser mentira.   Já me tinha esquecido do quão doloroso pode ser sofrer por alguém, há muito tempo que tivera acreditado que o sofrimento e o teu nome não se conjugariam - já mais - na mesma frase. Mas se isto é o que preciso de sentir para seguir em frente, então vou aguardar sossegada a minha vez, a derradeira oportunidade para ser feliz, de uma maneira definitiva e absoluta.  A tua voz corta-me o peito aos pedaços, até essa que sempre foi o meu alento eu hoje não suporto ouvir, imaginar que acreditei no seu melodioso vibrar, para neste fim que é o meu, tudo não passar de uma ilusão. O soluço constante que me salta do peito quando oiço a tua voz, a injustiça que é teres-me morto o coração e content...

o fim

Vai demorar até se me secarem as lágrimas, até que deixe de doer como dói, como uma ferida incurável em aberto. Perdi a identidade, deixei de acreditar em mim e breves segundos transformaram todo o meu cómodo chão num terramoto imparável.  Passei a vida acreditar nos outros, para que o resto pudesse fazer sentido, para que o tempo e as pessoas não se tornassem banais e usados, para poder descobrir em cada olhar um novo amanhã. Mas errei, quis acreditar e fiz asneira, caí na esparrela novamente, e sinto a culpa vazia de não ter feito tudo para deixar o mundo para trás, para te deixar para trás.  Tenho agora o medo de que o pesadelo não acabe, que não me puxes para o teu peito para me fazeres acordar e me prometeres que o tormento houvera finado. O medo constante de acordar com a percepção desta realidade que quiseste para nós, como um destino imposto. A verdade é dura, a verdade é clara e não tem dó, mas teria sido, para ti e para mim, muito mais justa.  Mas não dig...

amanhã

 Deixa-me o futuro. Ele é meu, pertence-me, estou no inteiro direito de o rabiscar de alto a baixo sem que te intrometas ou me digas para não o fazer. Deixa-me as folhas em branco e leva-me o passado, e já agora este presente rasurado que não se ata nem desata.  Chegou o momento que dizes adeus e me deixas para trás, e por favor não tenhas medo de levar tudo, em bater com a porta e fazeres ecoar o som da tua partida por esta casa vazia, eu cá hei de me erguer. Levantei-me outras vezes, coberta de mazelas, feridas profundas que nem o tempo apaga. Mas cá estou, preparei-me para te receber, aconcheguei-te nos meus braços, dei-te colo, e por fim, como em todos os outros fins, tu vais embora.  Mas não te esqueças de me deixar o futuro. Preciso dele, para seguir em frente nunca mais me lembrar de ti, das tuas mãos entrelaçadas nas minhas, dos teus sonhos enrolados nos meus, projectados dentro e fora dos nossos corpos, como se pudéssemos ter vivido a eternidade em seg...