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Mensagens

A mostrar mensagens de maio, 2012

instinto

 Ainda estou na busca incessante por mim própria, batendo a cada porta com a esperança sôfrega de que será aquele o derradeiro momento, em que vou finalmente deixar de (me) procurar. Talvez isso nunca aconteça, talvez as portas sejam tantas que esta vida e a outra não vão chegar. Talvez o caminho seja demasiado árduo e a minha preguiça crónica me ate os sentidos. Talvez não chegue lá simplesmente porque não tenho que chegar, porque alguém assim o convencionou, alguém que não eu.  Continuo a questionar-me e a ter ideias que não lembram a ninguém. Permaneço com a estúpida mania de gostar mais dos outros do que de mim própria, e tenho cá para mim que vou ter sempre de arranjar uma vítima, toda a vida. Só mesmo porque gosto mais de dar do que de receber.   Tenho instinto, e adoro. E faço tudo instintivamente, como se não houvesse maneiras mais realistas de se viver. Continuo a gostar muito pouco de pessoas, e aquelas de quem gosto mesmo, prefiro pens...

amarras

 Provavelmente quero de mais. Quero de mais e nunca te disse, por uma questão de orgulho ou de puro esquecimento. Não quero que penses que o tempo são amarras, ou obrigações. No entanto, quero que o vivas comigo, a plenitude de um amor tão infantil como verdadeiro.  Prefiro continuar a ouvir os teus passos ao longe, sobre o chão duro, contra a distância, contra o tempo, contra os outros. Prefiro isso a desistir. Deixar tudo só porque um dia inteiro não chega para te dizer o quanto sinto a tua falta - talvez porque nem todos os dias do mundo fossem suficientes.  Mas peço de mais, de pés juntos, ao futuro. Peço de mais com uma só palavra, um só voto de esperança, com um único nome em mente. Mas o amor dá-nos em demasia aquilo que recebemos por defeito, e é por isso que é tão cego quanto mudo, tão louco quanto são, tão frágil quanto eu.  É por isso que o meu coração nunca se cansa do teu, e tenho sempre vontade de te dar tudo, mesmo não tendo mais nada em mim...

+ longe

 O medo nunca deve ser motivo suficiente para desistir. Pelo contrário, deve levar-te a desafiar cada temor que tenhas.  Não deixes que o lógico tome conta do teu corpo, renega o que é correcto. O coração nunca tem medo, basta que penses na quantidade de vezes em que já foi magoado e ainda assim, permanece a bater. O que nos amedronta são as condutas, as regras, o raciocínio, as sinapses de razão de uns neurónios contra os outros.  Portanto, não uses o músculo vital como desculpa para a cobardia da tua mente, pois por ele, irás sempre mais longe.   

cimento

Não tentes definir o amor. Podes parar de querer dar-lhe cheiro, sabor ou até cor. Deixa de me pintar, não me enfeites mais porque o amor não se vê. O que me penduras ao peito não passam de ilusões, réplicas imperfeitas do sentimento, projecções do teu afecto forçado e sem nexo, e nada disso me chega ao coração.  E se pensas que acredito, aldrabas-te a ti mesmo. Insisto nessa fantasia porque sou naturalmente apaixonada por ti, e mesmo que só me ofereças pilares de esferovite, eu vou sempre conseguir prendê-los firmemente ao chão. E tu não sabes viver sem essa massa que te equilibra, esse cimento colorido em que te envolves por minha causa, por não saberes desistir de mim.  Porque desistir de mim implicaria desistires de ti, mesmo que mais tarde te fosses encontrar algures na cama de  uma outra alma penada. Mesmo que o teu coração voltasse a palpitar igualmente e esses calafrios te cobrissem o corpo por inteiro. Irias sempre desistir, e iriam sempre...

sei lá

Incrível como disfarças as lágrimas com o sorriso. Mas estás tão chateada, tão magoada. Deixaste em casa uma almofada encharcada pelos sonhos, pelo choro. Ainda assim, sorris.  Esse coração está desfeito, não está ? Cortado em pedaços por tudo aquilo que ouves e que rapidamente assemelhas a desilusões antigas, pelas vezes em que as palavras te secam no peito e és incapaz de verbalizar o que seja. Nem mesmo esses pedidos silenciosos de socorro são ouvidos.  Sei que queres chorar. Que preferes fazê-lo agora, eu sei. Sozinha porque só tu te entendes, porque não precisas explicar a ti mesma as lágrimas que vertes e te morrem sobre as maçãs do rosto, cansadas desse ritual. Sei que te dói o peito, sei desse buraco fundo, da tua falta de força. Mas nunca vi ninguém sorrir como tu, portanto fá-lo. p.s: fá-lo-ei.