Estava na hora. Fechei-te todas as portas e pus-me a léguas. O coração parecia-me tão apertado dentro do peito mas senti-me orgulhosa por não lhe dar ouvidos. Era a primeira vez em muito tempo que cuidava de mim; o ego acenou-me poeirento, despertava agora de um sono profundo. Demorei muito tempo a voltar a gostar de mim. Acho que nunca o escrevi antes. A verdade é tão dura de ler como de se dizer. As desilusões afogam-me numa melancolia profunda, fico horas a marinar a tristeza e a tentar perceber o que correu mal. A dor que me trouxeste foi em tão grande parte por minha culpa que ainda hoje lamento por mim e não por ti. Levei tempo a aceitar-me. A querer-me de volta na minha própria vida. Estive muito tempo sem me encarar, sem responder aos meus próprios sentidos, sem desejar nem esperar nada dos outros porque já não sabia esperar. Perdi-me algures. E muito provavelmente, precisei de me perder assim. Tal como precisei de me encontrar aos poucos até içar a ba...