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Mensagens

A mostrar mensagens de fevereiro, 2013

léguas

 Estava na hora. Fechei-te todas as portas e pus-me a léguas. O coração parecia-me tão apertado dentro do peito mas senti-me orgulhosa por não lhe dar ouvidos. Era a primeira vez em muito tempo que cuidava de mim; o ego acenou-me poeirento, despertava agora de um sono profundo. Demorei muito tempo a voltar a gostar de mim. Acho que nunca o escrevi antes. A verdade é tão dura de ler como de se dizer. As desilusões afogam-me numa melancolia profunda, fico horas a marinar a tristeza e a tentar perceber o que correu mal. A dor que me trouxeste foi em tão grande parte por minha culpa que ainda hoje lamento por mim e não por ti.   Levei tempo a aceitar-me. A querer-me de volta na minha própria vida. Estive muito tempo sem me encarar, sem responder aos meus próprios sentidos, sem desejar nem esperar nada dos outros porque já não sabia esperar. Perdi-me algures. E muito provavelmente, precisei de me perder assim. Tal como precisei de me encontrar aos poucos até içar a ba...

bicho feio

 Deixaste comigo o pior de ti. Incutiste-me o teu medo estúpido do futuro, a preguiça permanente que os assuntos sérios te trazem e até a incapacidade de perceber qual é o limite. Às vezes, sinto-me tão próxima de ti que o tempo parece não passar. Fico ali quieta a ver-te correr por dentro dos meus olhos, a baralhar-me o cérebro. Sempre o fizeste tão bem.  Ao mesmo tempo obrigo-os a perceber. Fomos muito próximos. Eu vivi o meu amor por ti até à última gota, quis sempre o dobro do que me podias dar e nunca me senti cansada por tentar. Talvez me sinta um pouco hoje. Uma ressaca acumulada de medos e inseguranças aos quais pensei ter sobrevivido. Só hoje quando olho para os estragos que fizeste na minha vida é que consigo perceber o quão destruída posso estar. Uma decadência bem moldada, presa às minhas entranhas, como um bicho feio que não se vai embora. Por mais que tente, por mais que o arranque com dentadas ferozes, ele regressa e acena-me no meio da minha própria co...

ar puro

 Está a aquecer-me o coração. Está a secar-me as lágrimas e a limpar-me a memória. Está a provar-me que posso ser feliz e está a permitir a si mesmo sê-lo. Nada melhor que isto. A bonança depois da tempestade. O doce depois do amargo. As borboletas medrosas. A minha insegurança e os seus braços para me amparar. É novo, é bonito. É ar puro e renovado. Está a fazer-me bem. E só por isso, merece o mundo.