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Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2012

doçuras

 Eles não acreditam e mim. Não querem crer que estou crescida, feliz, inteira. Olham-me nos olhos e fazem-me jurar que não quero voltar para ti. E eu juro, com a mesma convicção com que te disse que te amava, um dia, lá atrás. Afirmam que o que digo é para me convencer a mim mesma, para me tornar amarga e me deixar de doçuras sempre que me levas contigo e tomas conta de tudo o que é meu. Insistem que tenho medo, que fujo de ti porque sei que perco o chão. E porque gosto infinitamente disso. (Enganam-se. Não te quero, não voltes.)  Rodeiam-me com o teu nome e tento parecer intocável enquanto no meu peito se desconcerta algo. Aprendi a engolir a dor, o constrangimento, as pontadas agudas que quase me levam contigo. Tornei-me imune ao teu cheiro, às tuas coisas misturadas com as minhas, às recordações que não me largam porque eles não deixam. Eles não acreditam que (já) não te quero. Não querem crer que o amor também morre no coração dos persistentes; insis...

in Alma de Pássaro

"Será que o Miguel está a voltar? Às vezes, sinto-me tão ligada a ele que é como se o visse a andar, a comer, a adormecer, a ler, tipo espelho da madrasta da Branca de Neve. É um amor visceral, que vem mesmo cá do fundo. Há muito tempo que passou para debaixo da pele, já não tem nada de cutâneo. Ou, então, é uma obsessão estúpida e, como sou teimosa obstinada, resolvi agarrar-me a isto para não ter de enfrentar o que é a realidade sem o amor que tenho por ele.  (..) Mas se o Miguel voltasse.. ah, se ele voltasse! Enchia a casa de flores, enchia-me de luz e de força, enchia o peito de ar e a cabeça de ideias e projectos. Se o Miguel voltasse, voltava a encher a minha vida, mesmo que fosse só por uma semana, uns dias, uma noite apenas.. se o Miguel voltasse, sentia-me outra vez viva, e isso já era tudo, mesmo sabendo que, depois da partida dele, nada será como dantes, mesmo sabendo que não faço parte das escolhas dele, mesmo sabendo que o Miguel tem alma de pássaro e nunca se...

arrepios

 Ainda consigo sentir as borboletas no estômago. A tua respiração faz-me cócegas no ouvido como se dormitasses ainda com o teu nariz perto do meu tímpano. Quando fecho os olhos sinto peso leve do teu corpo sobre o meu e depois vejo-te sorrir como uma criança encantada com o sol pela manhã. O teu cheiro fica preso à minha pele e debato-me até quando será assim. Até quando a recordação dos teus beijos sobre a minha clavícula me causarão arrepios que me queimam as veias e me prendem firmemente à tua cama. E aquele toque leve sobre a minha cintura para me aninhares suavemente entre os teus braços até eu me perder mil vezes. Ou até nos perdermos um no outro.  Tenho saudades até das discussões absurdas sobre o tempo. Ou de te ver chegar lentamente até mim, sentindo cada segundo passar dolorosamente até que te toco e te prendo no meio dos dedos. Nunca ninguém te prendeu como eu. Consigo ainda ouvir-te conversar, o teu riso rompe pelo quarto e estamos os...

almost crazy

1.  Nome : Alexandra 2.  Idade : 17 anos 3.  De onde és?   D e longe. 4.  Porquê a escrita? Como te sentes quando escreves?   A  escrita porque me permite ser o que não consigo ser existindo simplesmente. E sinto-me exactamente eu quando escrevo, sem qualquer tipo de reservas. 5.  O que te levou a criar o blogue?   A  necessidade constante de ler o que penso.  6.  Desde que criaste o blogue sentes-te uma pessoa diferente? Em que medida?   Pode dizer-se que sim. Consigo reconhecer agora muitas formas de eu própria ser. Não me limito a um conjunto de características mas a uma mistura intensa de tudo aquilo que escrevo e sinto. 7.  Já conheceste alguém no blogue? Pessoalmente ou não? E essa pessoa mudou a tua vida?   J á conheci sim, pessoas fantásticas. E conheço pessoalmente algumas pessoas que têm blog. Uma delas mudou a minha vida pelo simples facto de fazer parte dela . 8.  Um blogue que te...

árvore

 Comparo-os tantas vezes a uma árvore. Vou, aos poucos, vendo cair a fruta imprópria para que a sã possa permanecer. Nunca pensei que custasse tanto. Que doesse tanto. Esse adeus silencioso e quase imperceptível,  aquele que dizes para ti mesmo para que mais ninguém oiça. E depois é deixá-los partir, pedir que sejam felizes e que façam - por favor - alguém feliz. Que alimentem a árvore de outrem de forma construtiva e que os tombos lhes concedam a sabedoria da vida.  Os bons corações ficam. Aqueles que merecem realmente ficar. Porque não se fica naturalmente na vida de alguém. Ou se constrói um permanecer sereno, com noites de filmes lamechas e conversas de cabeceira, regando meticulosamente a raiz que alimenta os sorrisos e as diferenças, os sonhos e as vontades; ou então mais vale deixar partir. Deixá-los partir.  As memórias ficam. Como sempre, como não poderia deixar de ser. E muito provavelmente, ficarão sempre porque ...

estrelas

 Oiço-os balbuciar algo à cerca do amor e lembro-me logo de nós os dois. E depois agita-se-me a corrente sanguínea e não há quem me pare o coração desconcertado.   Basta que me falem de amor e eu vejo-te à minha frente. Sentado, sorrindo serenamente e dando-me a volta completa aos hemisférios. Sinto-te colado a mim como uma lapa e lembro-me de gostar mais disso do que qualquer outra coisa. Agora ainda me agrada porque consigo exorcizar silenciosamente as saudades, detectando o teu cheiro a mel nos meus lençóis e imaginando-te na minha cama a contar as estrelas que ainda nos faltavam.  Eu gosto de ti. Que se lixe. Já virei o meu mundo do avesso e continuo a achar restos do meu amor por ti a queimarem-me as veias. E deves perguntar-te muitas vezes se não me canso, se o meu coração ervilha não se zanga a ponto de fazer as malas e partir. Se este amor - ou a falta dele - não me destrói. Tal como te questionas à cerca da minha essência e daquilo que eu desperto e...

desvaneios

 Acordei com a tua respiração no meu ouvido. Tu estavas ali. Imaginação fértil, peito apertado, partidas do cérebro quando se junta com o coração. Quis voltar a sonhar. Por mais doloroso que fosse o acordar. Quis que fosse verdade, mesmo que ainda sobrem restos do meu coração desfeito nas tuas mãos. Quis. Desejei com todas as forças que (ainda) ali estivesses, que inundasses a minha vida com os teus devaneios e me fizesses promessas que não podes cumprir.  Acordei com a tua respiração no meu ouvido.. já tinha saudades.

mel

 Quando comecei a escrever queria dizer que tinha saudades tuas. Queria ter-te perto e mostrar-te que até podíamos mudar o destino. Talvez o mel dos teus olhos me deixasse muda, perdida naquele que é o meu amor por ti na mais pura das suas formas. Depois, depois pensei que o melhor seria despedir-me. Deixar-te como me deixas-te e permitir que baloiçasses o resto da vida na corda bamba. E enganas-te se pensas que não posso querer as duas coisas em simultâneo. Sempre quis esquecer-te e recordar-te ao mesmo tempo, como quem lambe as lágrimas por prazer.  Tive medo, é verdade. Medo de fechar esta carta sem te dizer metade daquilo que predestinei como certo e correcto. Talvez na tentativa vã de te fazer recuar um pouco para te aninhares em mim, em nós. E, certamente que ficarei com coisas por dizer. Fico sempre, quando te escrevo faço-o infinitamente porque há sempre algo mais dentro de mim, para ti.  Quero que saibas que estou bem. Inteira, como só tu me conheces. ...