Perguntam-me pelo amor. Pelo coração. Pela outra metade. Não existe. (Não se vê logo). O amor constrói-se, disse-lhes. Bases fortes. Paredes firmes. Muitas birras. Muitas turras. Pazes, harmonia. Cama, sofá. Filmes. Rosas. Gemidos. Arrepios. O amor constrói-se, como uma casa. Ergue-se do nada, tijolo a tijolo, lágrimas e sorrisos. Mas sempre com vontade e com certeza. Talvez falte muitas vezes a certeza. O orgulho empolado no peito que teima em não sair. As recordações, um passado conturbado pelo amor que quando passa, deixa estragos. E medos. Dizem-me que já passou. (Pois já). O que eles não sabem é que ainda dói. A possibilidade dói. O construir dói. Cria um enorme vazio no peito. É como apagar todas as pegadas na areia, até agora. Há que confiar. (Claro que sim). Crer como da primeira vez, talvez com mais juízo. E a ideia agrada-me. Quero, desejo o futuro. É por isso que acho que ainda não me perdi. Porque ainda quero. Muito. E por querer tanto, as pala...