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Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2013

tentar

 Abro e fecho os olhos. Há leveza nos gestos, o corpo repousa sobre ele próprio, sem ser preciso recostar-se num abraço mais fechado ou num beijo de boa noite. Respiro fundo porque posso e nunca apreciei tanto o oxigénio que me desce aos pulmões e me corre nas veias.  Eles tinham razão: um dia, passa. Não que se desista, não que se seja derrotado. Não que o amor e a dor nos morram no coração e lá fiquem a marinar. O segredo deve estar em aprender a viver com eles. Aceitá-los como pedaços intrínsecos ao que somos e ao que passamos, um dia, lá atrás.  O futuro é mais aliciante quando não temos nada a perder. Quando os dias já nos feriram o ego e orgulho. Quando já demos o coração, já amamos e já sofremos. Aí sabemos que podemos continuar sem temer cair, mesmo que o medo se revele tantas vezes nos mais pequenos gestos e ainda nos faça subir sobre a espinha um arrepio doloroso. Mas tu já sabes como superá-lo. Engoli-lo e quiçá derrotá-lo. Fintamos a dor como que...

para ficar

 Não sei ao certo quando deixamos de amar alguém. Não sei sequer se isso alguma vez acontece, se o amor apenas se transforma e se aperta dentro do peito. É por isso que nos custa tanto perder quem amamos. Os sentimentos compactam-se todos, numa reacção tão química que parece física, as memórias lá se enrolam bem umas às outras e o ser até parece renascer uns meses depois. Mas essa coisa da dor, tem que se lhe diga. Não passa, não atenua mesmo que durmamos horas sobre o assunto. Continua ali, atrás da porta e entre as letras das músicas e as vírgulas dos livros. Não há analgésico, antidepressivo ou mesmo veneno fatal que nos remova do sangue o desgosto e a tristeza, as lágrimas de meia noite que até podiam ter ficado debaixo da almofada, mas por serem quase tão potentes como persistentes, nos correm pela cara assim que tocamos na ferida.  Deve ser por isso que gosto de escrever. Melhor, que me perco a escrever. Essa coisa da dor fica no papel, consigo olhar para ela, vê...