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Mensagens

A mostrar mensagens de setembro, 2012

inútil

 Chorei. Por tudo o que fomos. Por aquilo que ficou por viver, pelos castelos na areia. Chorei pelos sonhos, outrora perdidos.  Por nós, pelos erros que cometemos. Juntos, separados. Lembrei-me do quão frágil é o amor vivido em conjunto, sempre na tentativa vã de achar uma explicação. Sempre a não querer amar tanto e por isso mesmo, amando mais a cada dia. Tive pena, lamentei todas as minhas imperfeições, implorando a um  Deus  qualquer que amanhã o sol também pudesse brilhar para mim. Senti-me inútil, uma inútil a viver um sonho.  Chorei e não me senti melhor, se queres saber. No fundo, chorei por saber que isso era a única coisa que me restava fazer por nós. Para descarregar a consciência, para gozar o luto, para mostrar ao mundo que me dói o coração. Embora eles nunca saibam, já mais, a intensidade dessa dor. Chorei para que me abraçassem, para que o chão não fosse tão duro, para que algo fizesse sentido. Numa tentativa de achar o norte e o sul, o céu ...

princesa

 Olha. Vês como a tua vida seguiu sem mim? O teu coração continuou a bater, esse sangue quente a correr-te nas veias. Estás igual, as lágrimas só te desfiguraram as pálpebras por segundos. Igual não, estás mais forte, mais decidida, cheia de ti até à ponta do cabelo.  Vês como dia continuou a amanhecer? Bem te perguntaste como era possível. Tu a morrer de amor e o dia lá fora a chamar por ti. A vida é mesmo assim: continua. Sem mim e sem todos os outros otários com quem decidiste desperdiçar tempo. O tempo é uma coisa preciosa, posso dizer-to agora. Agora que a vida passou por mim e me fez homem.  Bem sei que te deveria ter dito muitas coisas antes de partires. Despedir-me de ti com o habitual beijo na testa e lembrar-me que poderia nunca mais te ver. Nunca pensei bem na tua alma nómada e no teu coração hospedeiro. Deixaste-me a morrer de saudades tuas quando nem eu sabia o que eram saudades. Tal como me mostraste o que era o amor, sem eu nunca o ter sentido. ...

sejamos loucos

  A vida são pormenores. Escassos momentos em que fomos felizes e tal estado de graça não deixou que nos déssemos conta. A vida é o sorriso da criança que nos passou ao lado, a dedicação do senhor da loja. O verdadeiro segredo está em saber viver tudo, o pequeníssimo segundo que mudou a nossa vida, talvez para sempre.  Bons são aqueles que podemos abraçar todos os dias. Os sorrisos que conquistámos e outros que recebemos sem esperar. Perfeitos foram os momentos pelos quais não esperámos, ou aqueles pelos quais sentimos que esperámos a vida toda. Bom é poder ter uma casa, uma família, uma vida para chamar de imperfeita. É existir alguém que nos abrace, que saiba um pouco de nós, que nos conheça o espírito e que nos toque no fundo da alma. Alguém que possamos amar com todo o coração. Bom é poder ter um coração. Mesmo cheio de ar e de borboletas traquinas.  Os pormenores são importantes. As pessoas são importantes. As nossas pessoas. E não haverá nada mel...

efémero

 Dei um breve suspiro e deixei que te levantasses sem dizer uma única palavra. Fingi o sono, contraí as pálpebras, evitei a despedida.  Permiti que fosses à tua vida, ao teu mundo azul. Deixei que voasses, que te libertasses. Que o teu coração falasse por ti. Ouvi o bater da porta, rígido, decisivo. Pude imaginar-te com o teu ar triste mas sempre leve a caminhares de encontro à tua vida, às paredes húmidas do teu quarto alugado nos subúrbios, sobre a madrugada escura e desconcertante. Se soubesses o quanto eu desejava ter-te prendido aos meus lençóis e aos meus mimos, corrido atrás de ti só para te dizer - num tom melancólico e chorão - que te queria comigo até os teus filhos serem os meus, até que aliança no meu dedo me relembrasse na velhice turva que te pertenci sempre, da maneira mais bonita e radical que uma mulher pode pertencer a um homem. Queria ter-te entrado no coração.  Ainda assim, deixei-te ir. Não disse nada. Não soube dizer nada. A tristeza co...

meus números

 Fazemos muitas coisas na vida das quais nos arrependemos e outras tantas que preferimos somente não recordar, porque as memórias são (muitas vezes) traiçoeiras. Ao logo destes quatro anos partilhei aqui um bocado de mim e um pouco dos outros todos que se cruzam na minha vida e consequentemente na minha escrita. Sou amadora e não sei algum dia largarei o anonimato para me aventurar com algo em grande, porque sempre me senti pequena. Gosto deste conforto típico de algo que pode tão simplesmente ser um devaneio infanto-juvenil. É melhor assim, melhor que poucos saibam pois isto são assuntos do coração. E eu escrevo com a aorta, já tenho dito.  Falo muito e escrevo muito também. Ou muito provavelmente tenho na ideia que falo muito porque penso demasiado. E metade do que penso, não digo, mas fico com a ideia que sim. Nada do que escrevo é rigorosamente premeditado, tão simplesmente me sento e deixo que o sangue borbulhe na ponta dos dedos. É mesmo assim, literalm...

inteiros

 Sorri, meu amor. Sorri, porque ainda estamos juntos, mesmo que tenhamos caminhado descalços pelas mais duras pedras da calçada, nós estamos aqui, inteiros, para toda a vida se for preciso. Não penses nunca em desistir, mesmo que tenhas de te afastar, mesmo que o  coração grite fora do teu corpo, fica quieto e espera por mim, pois eu hei de chegar. Vou continuar a olhar por ti.  Penso muito no futuro, idealizo-te, encho-te de metáforas e de histórias de encantar para libertar o que de melhor existe em mim, aquilo que sinto que toda a vida guardei para ti, para as tuas coisas. Não suporto - e admito - a ideia aterradora de te perder, mesmo que te deixe sozinho com o meu silêncio quando não quero que me vejas as lágrimas. Tu não percebes nada de lágrimas. E sim, amanhã tudo poderá ter desaparecido. Podes extinguir-te e eu posso muito bem estancar o sangue e lamber as feridas, ou até achar quem tome conta de mim como é costume. Tenho um coração hospedeiro, a solidã...

gato das botas

 Òh, vá lá, quero-te aqui. Vamos dizer palermices um ao outro e embrulhar-nos na mesma manta, mesmo que morramos ambos de frio. Deixa-te ficar no meu abraço, afoga-te nos meus mimos desmedidos, na idiotice das minhas palavras sempre que o amor me aldraba a mente e me sinto como uma pobre vítima do gato das botas. Vem daí, diz olá a esta tua Alice trapalhona, beija-me a testa e ajuda-me a crescer até ficar do teu tamanho. Anda comigo, vem fazer-me promessas ao pôr-do-sol e deixa-te apaixonar por mim mil vezes na mesma vida, até que o teu coração se canse de bater contra o meu. Não tenhas medo, vem ser idiota porque o teu brilho ofusca as mentes mesquinhas e não há nada que não consigamos, juntos. Senta-te ao meu lado e ajuda-me a encontrar um lugar no mundo, perto de ti e perto de nós, no chiado ou em sintra, dentro de um barco enorme ou numa casa sem tecto. Pois tudo o que eu preciso está contigo, na enormidade deste sentimento que me rebenta o coração pelas costuras, no som ...

primavera

 Tens uma existência eternamente leve. Um sorriso incrivelmente fácil, um toque mágico, hipnotizante. Ter-te perto de mim leva-me a querer cometer as piores loucuras, as mais macabras atrocidades com o coração, e com o resto. Não te posso deixar entrar pela janela, silenciosamente enquanto te aninhas na minha cama e me segredas ao ouvido loucuras momentâneas que não sentes nem nunca hás de sentir. Porque o teu amor não está comigo.  Mas deixas-me leve. O meu corpo levita perto de ti, perto do toque que não certo nem eterno e que o mais provável é que amanhã já tenha desaparecido. Mas tudo é bonito enquanto te tenho, naquele instante minúsculo onde me posso finalmente sentir viva e meia concretizada, onde não penso nem me debruço sobre a questão por simplesmente não valer a pena. Tu não vales a pena. Embora tenhas carácter e alma de passarinho novo. Gostas de esvoaçar sobre a minha cabeça quando o rei faz anos, e deixar-me cheia de saudades tuas até...