Que saudades desse cheiro a alecrim e das tuas mãos de pianista aldrabão, maltratado pela vida. Saudades até do teu jeito rude de ser, da tua expressão fechada e do cigarro pousado ao canto da boca. Se contasse aos outros que vivia contigo, ou melhor, que vivia contigo dentro de uma caixa de música, selados pelo estranho amor que nos unia: tu a tocar piano e eu a dançar para ti, num envolver de corpos e num emaranhar de sentimentos; poucos acreditariam. Era realmente pouco provável que o destino nos juntasse, que os planetas regidos pelas órbitas, ditassem que o meu futuro haveria de ser no teu caminho, bem no meio da tua vida e das tuas coisas, com o único objectivo de te amar tal como tu és, sem perguntas nem porquês, num amor puro e estéril, pronto a fazer-se à vida e a durar para sempre. Estranho que tenha saudades tuas. Estranho quando ainda hoje te vi, meio perdido e meio tosco no fim da nossa rua, com o nariz empinado e as mãos gastas nos bolsos, s...