Levantou-se insegura da cama que já a acolhia, com os olhos cheios de lágrimas - ela não sabia lidar com isso -, cambaleando, tremendo de frio e de medo, daquilo que já tão bem conhecia. O papel dele era acolhê-la quando os seus principais membros falhassem, e o dela era cair, sempre, toda a sua vida, tropeçando na mesma pedra e no mesmo otário, fazendo com que as feridas no fundo do coração fossem o principal fruto do seu percurso. Ela sente medo, como sentira antes, quando outrora alguém decidira espetar no seu peito uma enorme farpa, com imensos e dolorosos bicos, daqueles que trazem crostas para vida, ou até para depois dela. Ele está seguro na corda bamba, dá certezas com as suas incertezas, joga à defensiva e mostra algum mau perder. Juntos não combinam, a água e o azeite no seu estado mais puro e concreto, a dar asas a algo que cresce dentro de um só coração - o deles. As promessas de outrora foram postas de lado, agora vivem somente para ...