Não é um bom dia para te escrever. Não só porque o tempo me deixa mergulhada numa melancolia vã que teimo em não perceber, mas porque me sinto a transbordar de coisas que enterrei à séculos. Ainda assim, a angustia que incuto a mim mesma deixa-me mais aliviada no final. É como regar a ferida com álcool e sentir a dor ir embora lentamente. Até que só restem algumas lágrimas e a sensação de missão cumprida. Não sei porque é que te incluo sempre. Se odeio a ideia de te incluir. De te ter aqui a espiar e a respirar o mesmo ar que eu. Não sei porque é que te deixo entrar se o que mais quero é que estejas longe. Feliz, mas longe. Não há motivo para te querer. Destruíste partes de mim que ainda hoje não encontro. E quando penso que costumava ser mais feliz não posso deixar de me lembrar que também costumava ser menos insegura e que ouve tempos em que acreditei plenamente num amor que foi mais meu do que teu. E volto ao mesmo. Como se precisasse. Como se fizesses ...