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A mostrar mensagens de dezembro, 2014

identidade

 Após a ausência, venho escrever para te agradecer. Talvez já não o faça da mesma maneira. As linhas saem tortas e as letras desconcertadas. O meu coração pulsa da mesma maneira embora muita coisa em mim tenha mudado. Escrevo-te, a ti, cujo o nome já não sei e a morada não me lembro. Julgo, no entanto, que as vírgulas que separam as palavras de quem escreve são sempre as mesmas. E tu, és a minha virgula. O meu maior ponto de viragem. Agradeço-te então por me teres mudado, pelas palavras ásperas e pelos sonhos rasgados. Não fosse isso e hoje continuava a deambular pelas ruas de uma cidade qualquer, à procura da identidade mais preciosa da minha vida: a minha.   Deste-me aquilo que julgo ter sido a maior oportunidade de me tornar em mim própria. Perdendo aquela mania (que guardo, confesso) de viver pelos outros e caçar sonhos alheios. Vivi-te antes de saber sequer o que era respirar por mim. Antes de acreditar nos meus sonhos e dar-lhes nome.  Eras o meu pri...