Lembro-me bem do dia em que me construíste um baloiço na árvore. Penduraste duas cordas que prendiam uma tábua de madeira que cortaste à medida, com uma paciência só tua e uma dedicação que até hoje não encontrei igual. Lembro-me do dia em que me ensinaste a andar de bicicleta e prometeste, com o olhar, que não me ias deixar cair. E não deixaste mesmo, até quando o corpo já pedia descanso. Tenho presente na memória as vezes em que ataste uma corda a um poste e, sentado no teu banco de madeira, me deixaste saltar até anoitecer. Todos os dias. Nunca me disseste que não podias, que estavas cansado, que o teu dia não tinha sido bom, que te doíam as pernas e que querias descansar. Esse amor que nunca se esgota eu só conheci em ti. Devia ter sete anos quando te disse que gostava de ser veterinária. Sorriste e disseste-me, com a certeza que só os avós carregam na voz, que seria uma grande veterinária. No dia em que decidi que ia ser enfermeira disseste-me que seria uma grande ...