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repetição

Todas as noites engulo o mesmo grito desesperado, mordo os lençóis até que estes cedam, espeto as unhas na carne com toda a força possível, selo o coração e os ouvidos, e assim, aos poucos, com a dissipação do teu perfume, vais-te embora.
 Levas contigo a magia que te envolve, espetas o meu coração freneticamente até derramares sobre ti todo o meu sangue, delicias-te com o sabor da vitória, até que ergues o meu corpo, incapaz, e me beijas por dentre os teus dedos, cravados no meu rosto, que soam como carícias no fim do pesadelo.
 Esgotei as palavras que se dirigem a ti, eu que sempre pensei que à tua volta existia uma infinita onda de inspiração, daquelas que só existem para os grandes poetas, e que eles teimam em chamar de musas.
 E tal como eles, eu já não sei falar de ti sem me tornar repetitiva, sem cansar os verbos e os adjectivos, não consigo dizer-te mais vez nenhuma que estragas-te tudo, que és um idiota, que me estrangulas-te o coração e por isso sofres agora o castigo. Mas não suporto a tua também repetida resposta, quando enches o peito de ar e me sussurras, que o meu castigo, foi ter-te amado exactamente por isso.

Comentários

  1. Sim, é um vício saudável querida :)
    adorei o texto*

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  2. Uau! Fiquei quase petrificada a ler o teu texto! :) Eu nem sei se há palavra que possa descrever a forma sentida como escreveste isto! Parecia que estavas zangada... :) Se realmente estás a "viver" isto, tens de ter muita força... beijinho grande! :*

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  3. que texto lindo, alexandra.

    adoro o visual novo do blog :D

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  4. adoro o nosso fundo do blog. está lindo *

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  5. por isso mesmo é que tenho tanto medo amor! <3

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  6. oh obrigada ;$
    ainda bem que gostaste *)

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