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novelo de lã

 Olhando para ti, sinto que já não me falta nada. As rugas da expressão do teu sorriso envolvem-me o coração num novelo de lã, e eu fecho os olhos para me perder. Perco-me contigo porque descobri que existias na vulgaridade de uma espécie em vias de extinção como esta nossa, cobrindo de cor o que te envolve, o que te inclui, o que te pertence.
 Desde que o ritmado bater do teu coração perdure perto do meu peito, não tenho como dizer não à minha existência. Sei que te cubro de dúvidas quando menos esperas, mas agarro-te com unhas e dentes porque não suporto a ideia da dissipação do amor que se entranha das minhas entranhas, como uma doença sem cura.
 Depois de te ter, sinto-me crescida. E o amor faz-nos sentir crescidos, com uns saltos debaixo dos pés e o mundo no centro das mãos. É por si só um voto de confiança, um gesto impensado mas que sabe bem, uma explicação sem motivo ou uma chama que arde sem queimar.
E embora os meus traços infantis saltem à vista, ganho uns centímetros cada vez que soletras a tão bendita palavra junto ao meu ouvido, fecho-te os olhos e abro-te o coração que é do tamanho do mundo graças a ti, que me enches de graça quando o meu corpo tende em perder a cor.

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