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lembra-te de mim


 No fundo, eu sei do que precisas como mais ninguém sabe. Continuo a lembrar-me desses gestos característicos do teu corpo, da forma como te aconchegavas lentamente perto da minha almofada com a cabeça a tremer de cansaço e o coração despedaçado. 
A primeira vez que te abracei para adormeceres, confesso o medo que senti por te quebrares em pedaços, finos e leves porções de cinza que o tempo fermentara em ti. Senti receio que nunca mais te recompusesses, como o homem a sério que sabia que eras, a eterna criança que guardavas com tanto afinco, e que agora eu vira ser jorrada pelos teus poros.
 Com o tempo armazenei uma quantidade significativa de força para te trazer de volta, para sarar essas feridas nefastas que te levavam para tão longe de mim, de nós. Guardo em perfeita memória a última noite das nossas vidas, e continuo com a imperfeita noção de que ainda me pertences. Deixa-me ser ingénua, tu também o foste e eu permiti-to.
  E agora que estás de pé, lembra-te de mim.

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