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água da chuva


 O amor verdadeiro é uma chatice porque para além de nunca sabermos quando acaba, o comparamos a todos os outros amores que vamos tendo na vida. E quando damos por nós lá estamos a viver um misto de saudade e frustração. Olhamos bem para nós e estamos a usar um coitado qualquer como cobaia para a nossa tentativa falhada de progresso. Quando na verdade, estamos tão estagnados qual água da chuva em poça de rua.
 Não há como forçar o coração. As pessoas é que gostam da ideia perfeita de continuidade disfarçada e pouco vivida, saltando de banco em banco ao longo da vida. Não há como pintar o céu de roxo ou evitar que o sol nasça e que os outros lá fora estejam felizes. Mesmo que não o sejam.
 O amor verdadeiro é bonito, é doce, é forte e arrebatador. Dá-nos conta dos dias e das noites, da cabeça e do coração. Mas é bom de ser vivido. Torna-nos mais altos e mais saudáveis. Mais aptos para a corrida, mais resistentes. Embora nunca tenhamos conhecimento do seu fim. Vive adormecido nos recantos da nossa memória e assalta-nos sempre em dias de tempestade. Trás os "porquês" e os "se's" e deixa-nos a questionar se estamos realmente a sentir-nos vivos.
Desassossega-nos porque não admite sossego, nem sonos leves, nem festinhas na cabeça. Não nos dá tempo para o tempo, nem respostas para as perguntas. É, definitivamente, rápido. E deixa-nos a morrer de saudades por ser tão passageiro. Deixa-nos a nós e à nossa triste vida de cidadãos comuns. Porque nos tornamos todos iguais quando perdemos a capacidade de amar.

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