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equação


 Copo meio cheio, pela milésima vez. Vejo-te brincar entre os meus dedos, sempre gostei de te ter perto. Não tão perto que me possas magoar. Mas junto de mim o suficiente para te poder sentir.
 Interessante, como os sentimentos nos mudam. Como o medo nos consome e o prazer nos acrescenta uns centímetros, tornando-nos maiores de espírito.
Nada como o prazer que me causas. Dentro e fora do corpo. O gosto por estar viva, por existir e poder, acima de tudo, escrever. Dizer-te em palavras aquilo que me vai dentro da máquina de batimentos desconcertados. Não sabes como isso é raro. E como me deixa leve.
Mais leve até do que a tua alma sobre a minha, nos domingos de manhã. O peso leve dos teus medos a exercerem pressão sobre os meus e a fazerem-me esquecer que existo.
O amor cancela-nos a existência. Risca-me completamente da equação e ficas só tu. Tu igual e ti mesmo, com os teus poucos dramas e os teus muitos sonhos. E dou por mim a sonhá-los contigo, obrigando-te a ser ligeiramente mais persistente e obrigatoriamente mais meu.
 Devia organizar-me mais. Deixar de ser tão emocionalmente rasurada e passar-te por cima quando te escondes para ninguém te achar. Devia deixar-te ser tão criança quanto gostas (ainda) de ser e fingir que não te vejo olhar para mim com esse ar perdido que reconheço desde sempre.
 Mas, diga-se a verdade: fui feita para te achar. Levar-te debaixo das asas gigantes que cultivo só para os que amo, e lamber-te as feridas para que não chores mais. Mesmo que no dia seguinte sejamos apenas dois estranhos que partilham os mesmos lençóis, eu sei que te vais lembrar de mim. Amar-me como sabes e agradecer-me como podes. 
E depois, voltas a ser meu. Todos os dias.

Comentários

  1. Por maiores que sejam os obstáculos, quando nos permitimos amar alguém sabemos sempre que teremos forças para a procurar

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